São Paulo – O Complexo de Franco da Rocha da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) abriu hoje suas portas para um confronto inusitado: no lugar da Tropa de Choque contendo rebeliões, a unidade foi invadida por jovens vestidos de vermelho. Outros saíam das celas de amarelo. E quem estava do lado de fora já sabia o que daria aquilo.
Uma bola no centro do campo, uma trave de cada lado e um juiz. Para tantos brasileiros, poderia ser apenas mais uma partida de futebol. Para 20 internos da Febem, o esporte ganhava um outro significado: a possibilidade de estar livre de novo.
Por meio do projeto Futebol, um Apito de Esperança, lançado em fevereiro pelo árbitro e funcionário da Febem Cléber de Oliveira, os adolescentes concluíram hoje um curso de árbitros-assistentes de futebol, com estágios práticos em jogos amadores na Grande São Paulo.
Hoje, o time da Febem recebeu o juvenil da Portuguesa para o amistoso de teste para os formandos. A disciplina marcou o jogo, que teve apenas dois amarelos para cada lado. Os aspirantes a árbitro se revezaram no comando do jogo.
Mas, pela fisionomia dos internos, foi possível perceber que a partida não terminou ali. “Esse curso me ajudou a colocar a cabeça no lugar. Agora meu maior sonho é vencer na vida”, diz R.S.N, de 19 anos. Internado por 1,5 ano por assalto a mão armada, agora cumpre pena em liberdade assistida. “Caí no laço do passarinho, mas isso é coisa superada, agora é daqui pra frente.”
O resultado, 2 a 2. Mas, se no placar houve empate, pelo menos em dois pontos o time da Febem saiu vitorioso: 3 internos vão fazer teste para jogar na Portuguesa, além dos 20 que prometem agora começar uma nova etapa em suas vidas.