O juiz espanhol Baltasar Garzón disse que a luta contra o terrorismo deve ser feita dentro da cooperação internacional e do Direito, pois considera que “lançar bombas não é a solução”.
Garzón, juiz titular da Audiência Nacional – tribunal encarregado dos crimes de terrorismo, econômicos e narcotráfico -, participou do último dia de um curso de verão da Universidade Complutense de Madri sobre “A luta contra o terrorismo e seus limites”.
Segundo o magistrado, a guerra do Iraque foi ilegal e este expressou sua opinião de que “não é justificativa dizer que não havia outra forma de acabar com o regime de (o presidente) Saddam Hussein”.
O terrorismo no Iraque surgiu uma vez terminada a disputa, disse Garzón, e acrescentou que agora atuam ali pelo menos seis organizações vinculadas à Al Qaeda e outros trinta grupos de caráter islâmico.
O magistrado da Audiência Nacional acredita que o terrorismo islâmico não desaparecerá mesmo que o saudita Osama bin Laden seja capturado, porque ele se tornou uma referência ideológica e os grupos que pertencem à rede terrorista cometem atentados contra o ocidente “sem consultar o conselho diretivo”.
“É uma barbaridade pensar que Bin Laden lidera neste momento a jihad islâmica”, disse Garzón, e explicou que a Al Qaeda é uma base de dados de pessoas que podem ser utilizadas como terroristas ou para prestar serviços relacionados à execução dos atentados.
Na sua opinião, a Al Qaeda combina meios sofisticados e tradicionais e recruta pessoas “perfeitamente treinadas mas vindas de meios marginais onde a cultura é escassa”.
Segundo Garzón, a Internet “é um arma de destruição em massa” nas mãos dos terroristas, e garantiu que os vídeos que mostram a execução de ocidentais no Iraque têm um impacto “muito maior” nas sociedades árabes, já que meios como a “Al Jazira” os difundem com muita amplitude.
O magistrado citou o conflito palestino-israelense, a pobreza e “a elite corrupta e perversa” que ocupa os governos dos países árabes como algumas das causas que originaram o terrorismo islâmico e acrescentou que a solução não passa por “planos de democratização à americana”.
Pelo contrário, Garzón defendeu o desenvolvimento integral destas sociedades a partir de suas tradições, pois, como disse, não se pode pretender mudar o tratamento da mulher no Islã “impondo o modelo ocidental”.
Para acabar com o terrorismo, segundo Garzón, é necessária a cooperação internacional e o uso do Direito, já que o problema também não pode ser solucionado “com medidas exclusivamente policiais”.
O magistrado disse que é partidário da “justiça integral”, que inclui aprovar leis, realizar julgamentos e outras medidas como as comissões da verdade e lembrou que se a jurisdição interna de um país não reage contra o terrorismo “o sistema de justiça internacional terá que fazer algo”.
Garzón rejeitou por outro lado o diálogo com os terroristas já que representa uma hesitação e “se esquece das vítimas”.