BRASÍLIA e SÃO TOMÉ. A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) defendeu ontem investigações rigorosas da Polícia Federal sobre a espionagem feita pela empresa Kroll em autoridades do Executivo e do Judiciário. O presidente da AMB, desembargador Cláudio Baldino Maciel, disse que pedirá ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, prioridade no trabalho da PF. A Kroll foi contratada pela empresa Brasil Telecom para investigar a Telecom Itália — cujos sócios disputam com o banco Opportunity o controle da Brasil Telecom. Nesse trabalho, acabou monitorando atividades de membros do governo, como o ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação), o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, e membros do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
O português Tiago Verdial, preso em Brasília sob suspeita de atuar como espião da Kroll no caso, poderá responder por seis crimes: corrupção ativa, exploração de prestígio, quebra de sigilo constitucional, formação de quadrilha, espionagem e obtenção ilegal de documentos sigilosos.
O advogado de Verdial, Antonio Cesar Marra, disse que só ficou sabendo das acusações ontem:
— Não tivemos acesso ao pedido de prisão da Justiça. Estamos avaliando a viabilidade de entrar com um hábeas-corpus para liberá-lo — disse.
Enquanto isso, Verdial não deverá falar nada nos depoimentos na PF.
Na África, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem a São Tomé e Príncipe, classificou como muito graves as denúncias e afirmou que vai tomar cuidado:
— Eu vou me cuidar. O monitoramento de ministros por uma empresa é muito grave porque até a polícia precisa de autorização — afirmou Amorim.
O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, disse que o governo está tomando providências:
— Não se pode permitir que empresa brasileira ou estrangeira investigue à margem da lei.