Homem descobre que não era pai biológico da moça que criou e acabou sendo preso por deixar de pagar pensão. O exame de DNA, inegável avanço da ciência, tem servido tanto para unir como para separar as famílias. Em busca da verdade genética, ele provou, sem margem de dúvida, por exemplo, que Jayro Tapajós e Maria Auxiliadora, a Lia, são os pais legítimos de Pedro Júnior, Pedrinho. E pôs fim a um drama familiar que se arrastou por mais de 16 anos.
No outro extremo, o resultado do exame de DNA causou grande decepção e revolta a um pai. Após mais de 20 anos de convivência, descobriu que a menina que ele criou com todo o carinho e dedicação não era sua filha natural, mas de um desconhecido.
A mulher o havia traído e mantido o fato em segredo, durante todo este tempo. Só o resultado do exame revelou a triste realidade. O teste foi feito para rastrear as origens de uma anemia que a moça sofria, e acabou por mostrar uma infidelidade.
“Entrei em estado de choque e depressão psicológica. Cheguei a pensar em pôr fim à minha vida. Mas graças a Deus, com muita fé e o apoio dos amigos, consegui superar o drama”, conta o médico Iran Augusto Gonçalves Cardoso, 54 anos, ex-diretor de um importante hospital da rede pública de saúde do DF.
Separado da enfermeira do Senado Isabel Cristina Reis Sousa, 50 anos, desde 2003, sua revolta com a situação aumentou ainda mais, tempos depois. Iran havia suspendido o pagamento da pensão alimentícia da pretensa filha, depois de entrar na Justiça com ação negatória de paternidade, em maio do ano passado.
Para complicar a vida de Iran, a ex-mulher requereu a prisão civil do médico, por atraso no pagamento da pensão alimentícia. A Justiça concedeu e ele foi detido, mês passado, e levado ao Departamento de Polícia Especializada (DPE), onde permaneceu em sala especial a que tem direito, por ter curso superior. Pagou o que devia (cerca de R$ 18 mil, acumulado) e foi solto.
Inconformado com a situação, ele decidiu desabafar e contar toda a história à imprensa. “Quero mostrar quem é o errado nesta questão. Pois fui enganado por muito tempo”, conta.
Contatada por telefone para apresentar sua versão sobre os fatos, Isabel disse que precisava, antes, consultar seu advogado. Em seguida, se recusou a falar sobre o assunto. Ríspida, disse que “tinha mais o que fazer”, e nem quis ouvir os argumentos do repórter sobre o direito constitucional de ser ouvida.