Com a mulher presa há uma semana, acusada de peculato, formação de quadrilha e exploração de prestígio, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima, desembargador Mauro Campello, foi para o ataque. Seu advogado afirmou que vai representar contra o juiz da 1 Vara Federal, Helder Girão Barreto, responsável pela prisão de Larissa Campello.
Paulo Ramalho, advogado do desembargador, acusa o juiz de um “festival de ilegalidades” na Operação Pretorium, que investiga fraudes no TRE de Roraima na gestão de Campello.
Além de prender a mulher e a sogra de Campello, Clementina Mendes, Barreto também pôs na cadeia um funcionário do Tribunal de Justiça (TJ) e quatro servidores do TRE, todos acusados de participar da quadrilha. Clementina foi liberada depois de prestar depoimento e confirmar a existência de um esquema de desvio de parte dos salários de servidores do TRE.
Advogado vai denunciar a PF por abuso de poder
Ramalho disse ainda que vai denunciar a Polícia Federal por abuso de poder e arbitrariedade na condução do inquérito, presidido pelo delegado Anderson Gustavo Torres. O advogado disse que a prisão temporária dos sete acusados foi decretada no dia 17 de janeiro mas cumprida apenas no dia 10 de fevereiro, a sete dias da posse do desembargador Campello na presidência do TJ de Roraima.
Os 16 volumes da Operação Pretorium, com 3.500 páginas, foram entregues ao presidente do Superior Tribunal de Justiça, Edson Vidigal, na terça-feira. O ministro Paulo Gallotti foi nomeado relator do processo.
O ministro Vidigal afirmou que se a denúncia for aceita pelo Tribunal, Campello será afastado do cargo e a ação penal seguirá os trâmites normais. Não há prazo para a conclusão do inquérito. Mas, na avaliação do presidente do STJ, não há motivo para que se decida que o desembargador Mauro Campello deixe de assumir a presidência do TJ. Campello deveria assumir o cargo hoje, mas pediu a prorrogação da posse por 30 dias e apresentou uma licença médica de dez dias.