Mais um pedido de falência agrava o “inferno astral” enfrentado pela Estrela, maior fabricante de brinquedos do país. Desde o final de janeiro, quatro fornecedores já entraram na Justiça requerendo a falência da companhia.
Desta vez, foi a Piramidal Termoplásticos, que cobra uma dívida de R$ 63.635,57. Nesta segunda-feira, ao tomar conhecimento do novo pedido de falência, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) pediu esclarecimentos à Estrela, já que a companhia está listada no pregão.
“O débito foi liqüidado antes da citação e já protocolada a desistência em juízo na semana passada, tratando-se, portanto, de assunto encerrado”, informou a Estrela à Bolsa paulista.
O “inferno astral” eclodiu no final de janeiro, quando dois fornecedores do setor gráfico (Gráfica Suprema Embalagens e Cartonagem Jauense) pediram na Justiça a falência da Estrela por conta de uma dívida de R$ 700 mil na 2ª Vara de Itapira (SP). Neste mês a empresa Santa Luzia também cobrou uma dívida de R$ 26.620,09.
Em geral, fornecedores pedem a falência de uma empresa com o objetivo de pressioná-la a pagar dívidas em atraso. No caso da Estrela, os requerimentos serviram para expor a situação negativa da empresa.
De janeiro a setembro do ano passado (último balanço divulgado), a companhia acumulava um prejuízo de R$ 23,225 milhões, um aumento de 152% na comparação com igual período do ano anterior (R$ 9,2 milhões).
Em fevereiro, a agência de propaganda DPZ deixou de ter a Estrela como cliente. Segundo o jornal especializado “Meio & Mensagem”, a conta estava na agência desde 2000.
Segundo reportagem publicada pela Folha no último domingo, a Estrela também negocia com um grupo de funcionários demitidos o valor da rescisão do contrato de trabalho –valor esse que deve ser pago a prazo, em cinco vezes. No varejo, a empresa quer fechar grandes lotes de venda de itens que estão parados em estoque, a preços convidativos, para fazer caixa logo.