O presidente da associação de moradores da Rocinha, William de Oliveira, foi solto depois que o desembargador Luiz Leite Araújo, da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, lhe concedeu habeas corpus, na quarta-feira.
Segundo Araújo, o crime não é considerado hediondo e o mandado de prisão, concedido pela 36ª Vara Criminal não determinava a duração e, por isso, a autoridade deveria tê-lo liberado após cinco dias. Para o desembargador, o atraso caracteriza “flagrante constrangimento legal”.
A Polícia Civil acusa Oliveira de repassar propinas dadas pelos traficantes da Rocinha para a ex-presidente da Associação, Maria Luíza Carlos, 36, também presa, que por sua vez repassaria o dinheiro a policiais militares.
Por meio de escutas telefônicas instaladas na casa dela, os investigadores chegaram ao capitão da Polícia Militar Marcus André Barbosa Goeth, lotado no 23º Batalhão da Polícia Militar (Leblon), que também está preso.
No mesmo inquérito estão indiciados, ainda, Eduíno Eustáquio de Araújo, o Dudu da Rocinha, e Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi, apontado como atual chefe da venda de drogas na parte baixa do morro.
Repercussão
A prisão do presidente da associação de moradores causou polêmica e opôs policiais e representantes da elite carioca. Na sexta-feira, empresário, intelectuais e integrantes de movimentos sociais cariocas divulgaram uma carta condenando a prisão temporária de Oliveira, alegando que ele tem ‘endereço e trabalho certos’.
O texto foi assinado pela ex-jogadora de vôlei Isabel Barroso Salgado e pelo antropólogo Rubem César Fernandes, da ONG Viva Rio, que tem projetos na Rocinha, entre outros.