A Secretaria de Segurança do Espírito Santo divulgou a gravação do depoimento de uma testemunha reforçando a suspeita de que o juiz Alexandre Martins de Castro Filho foi assassinado a mando de colegas do Judiciário. No depoimento, registrado em vídeo, a mulher aparece de costas, encoberta por um efeito de edição para não ser identificada. As imagens só mostram a delegada Fabiana Maioral, que preside o inquérito, e um promotor.
Na gravação, a testemunha diz que, além de ver a entrega da recompensa de R$ 15 mil a dois executores do juiz Alexandre Martins, viu também adesivo do Judiciário no vidro do carro do qual uma pessoa fez a entrega do envelope com a quantia.
— O juiz Alexandre Martins era uma pessoa combativa e tinha muitos inimigos, inclusive na Justiça — disse o secretário de segurança, Rodney Miranda.
O presidente do Tribunal de Justiça, Adalto Tristão, está fora de Vitória. O vice-presidente, Jorge Góes Coutinho, não quis falar. Já o desembargador Pedro Valls Feu Rosa, presidente da Associação dos Magistrados do Espírito Santo, foi contundente.
— Se ficar provado que um membro do Judiciário é o mandante do crime, ele tem que ser punido, tem que receber a pior das penas — afirmou Feu Rosa.
Pai do juiz pede que mandantes sejam punidos
Os dois anos da morte do juiz, completados ontem, foram marcados por manifestações em Vitória. O Fórum Permanente Contra a Violência e a Impunidade no Espírito Santo apoiou o pedido de que o inquérito passe para a Justiça Federal. Requerimento nesse sentido foi enviado ao procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, na quarta-feira, em Brasília, pela deputada federal Iriny Lopes (PT), presidente da comissão.
O pai de Alexandre Martins, o também juiz Alexandre Martins de Castro, voltou a pedir rapidez nas investigações e fez um apelo à polícia:
— Espero que o crime seja solucionado em breve, mas não aquela solução de muitos inquéritos, concluídos por serem considerados insolúveis. Espero que os mandantes sejam identificados e levados às barras dos tribunais, como os executores.
No trecho da gravação liberada pela Secretaria de Segurança, a testemunha conta com detalhes como foi a cena de entrega do dinheiro da recompensa ao executor confesso do juiz, Odessi Martins da Silva Junior, o Lumbrigão, e ao comparsa Giliarde Ferreira de Souza, o Gi. Eles foram presos e condenados a mais de 20 anos de prisão.