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Armadilhas de bancos enganam clientes aposentados em empréstimo descontado em folha

Armadilhas de bancos enganam clientes aposentados em empréstimo descontado em folha

A aparente simplicidade do desconto em folha apresentado pelos bancos, que oferecem o empréstimo pelo telefone e sem burocracia, esconde uma matemática complicada. Diante da dificuldade do cliente de calcular os juros compostos que incidem na operação, alguns bancos embutem ganhos extras na taxa mensal, anunciada como sendo a partir de 1,75%. Em conversas gravadas pela reportagem do ESTADO DE MINAS, constatou-se que os juros chegam a ser até o dobro disso, e variam de cliente para cliente dentro da mesma instituição financeira.

A aparente simplicidade do desconto em folha apresentado pelos bancos, que oferecem o empréstimo pelo telefone e sem burocracia, esconde uma matemática complicada. Diante da dificuldade do cliente de calcular os juros compostos que incidem na operação, alguns bancos embutem ganhos extras na taxa mensal, anunciada como sendo a partir de 1,75%. Em conversas gravadas pela reportagem do ESTADO DE MINAS, constatou-se que os juros chegam a ser até o dobro disso, e variam de cliente para cliente dentro da mesma instituição financeira.

Na simulação feita por telefone com representantes do banco Schahin em Belo Horizonte, tomando por base uma aposentadoria fictícia no valor de R$ 1 mil, é possível conseguir um empréstimo de R$ 4,2 mil na agência da rua Curitiba, Centro. Se preferir, com os mesmos R$ 1 mil, o cliente poderá sacar R$ 5.535 na rua São Paulo. No primeiro caso, os juros serão de 3,73% mensais (em 36 vezes de R$ 214) e, no outro, de 3,81% mensais (em 36 vezes de R$ 285), segundo cálculos de um financista independente. Entretanto, as atendentes do banco informam que será cobrada taxa única de 1,98% mensais.

Nova consulta telefônica, desta vez no banco BGN, permite ao aposentado com renda de R$ 1 mil retirar quantias de R$ 5.741 no representante de Campo Grande (MT) ou ainda de R$ 5,6 mil em Cuiabá. No primeiro caso, a taxa real é de 3,43% mensais (em 36 vezes de R$ 280) e, no segundo, é de 3,90% mensais (em 36 vezes de R$ 292). A diferença entre as duas é de quase meio ponto percentual ao mês. “É um absurdo. O interessado em pegar um empréstimo, seja ele aposentado ou não, deve pedir antes a ajuda de um especialista para não ser enganado”, afirma Hermélio Soares Campos, presidente da Federação dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais.

Alessandra Botelho, gerente do Schahin, reconhece o erro do banco paulistano em aplicar diferentes taxas de acordo com a cara do freguês, mas joga a responsabilidade nos correspondentes bancários. “Essas operações são muito recentes e não temos controle sobre todos os representantes.” O mesmo diz Wálter Octaviano, superintendente do pernambucano BGN. “Esse procedimento está incorreto. A taxa praticada pelo banco é uma só”, afirma ele, garantindo que irá descredenciar as agências.

José Pio Martins, autor do livro Educação financeira ao alcance de todos, alerta que a linguagem da matemática financeira vem sendo usada de forma a induzir a erro. “Os bancos não têm interesse em explicar se a taxa é capitalizada, por juros compostos ou se usa tabela fatorial. Eles sempre perdem na Justiça por induzir o cliente a erro. Os juízes dão ganho de causa ao cliente”, afirma o economista.

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