A Petrobras pode se tornar hoje a principal prejudicada caso a Lei dos Hidrocarbonetos seja aprovada pelo presidente da Bolívia, Carlos Mesa. Ela cria imposto de 32% para as multinacionais que exploram petróleo e gás no país.
A Petrobras passou a operar na Bolívia em 1996 e é atualmente a maior empresa do país. Neste período, a estatal já investiu US$ 1,5 bilhão. Apesar do risco de ver sua rentabilidade reduzida com a nova lei, o diretor financeiro da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, declarou ontem que a empresa não pretende lançar mão de um seguro de risco político contra as incertezas na Bolívia, na Argentina e na Venezuela.
A Petrobras não pretende se pronunciar sobre a situação da Bolívia até que o presidente decida o formato da nova lei. Durante a coletiva sobre os resultados da Petrobras no primeiro trimestre, Gabrielli afirmou, no entanto, que a empresa vê com preocupação a situação no país.
“Podemos mudar nossa estratégia de atuação dependendo das mudanças legislativas que ocorrerem. Não temos nenhuma posição ainda porque não há muita clareza sobre a mudança que pode ocorrer nestes países”, disse.
Na última sexta-feira, uma banana de dinamite explodiu no estacionamento da Petrobras em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. O atentado terrorista coincide com o momento de instabilidade política no país. O presidente Mesa corre o risco de não terminar o mandato.
A Petrobras opera na exploração, produção e comercialização de gás natural e transporte por dutos, a empresa tem unidades de processamento de gás, de refino, uma fábrica de lubrificantes e distribui derivados.
Investimentos
Os investimentos em exploração e produção incluem a participação em cinco blocos em terra (San Alberto, San Antonio, Monteagudo, Ingre e Rio Hondo). A empresa opera em quatro blocos. Nos campos de San Alberto e San Antonio foram descobertas as maiores reservas de gás natural do país. A empresa tem 35% de participação, junto com a Andina (50%) e a Total FinaElf (15%).
Desde janeiro de 2001, a Petrobras opera a primeira planta de processamento de gás natural no campo de San Alberto com capacidade para 6,6 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, além de 4,3 mil barris de petróleo por dia, em gás natural condensado. A produção de petróleo e gás natural é de cerca de 52 mil barris de óleo equivalente por dia.
Em agosto, a Petrobras obteve em processo de licitação o bloco Irenda, situado em área favorável à prospecção de óleo. Em dezembro de 2003, a reserva provada foi de 800 milhões de barris de óleo equivalente. As reservas da Petrobras na Bolívia, considerando apenas o gás natural, chegam a 158 bilhões de metros cúbicos.
Na área de refino, transporte e comercialização, a Petrobras passou a exercer 100% do controle da Empresa Boliviana de Refinación (EBR) após a aquisição da Perez Companc. A EBR é proprietária das refinarias Gualberto Villaroel (Cochabamba) e Guillermo Elder Bell (Santa Cruz). Estas unidades processam em conjunto a média de 32,6 mil barris por dia, o equivalente a 54% da capacidade nominal de ambas.
Outras áreas
A Petrobras atua também na venda de lubrificantes básicos ao mercado paraguaio, peruano e chileno, assim como as exportações de gasolina ao Paraguai e ao Brasil e o intercâmbio de óleos básicos e acabados com a EG3 na Argentina.
A rede de postos da Petrobras na Bolívia chega a 90 unidades contra um total de 400 em todo o país. A participação no mercado de combustíveis boliviano da Petrobras é de cerca de 26%.
Em relação ao transporte de gás, destaca-se o gasoduto de Yacuíba a Rio Grande, o Gasyrg, com 431 quilômetros de extensão. Ele é operado pela Transierra, empresa da qual a Petrobras possui participação de 44,5%. O gasoduto permite escoar a produção dos campos de San Alberto e Sábalo em volume de 17 milhões de metros cúbicos. A empresa estima alcançar 23 milhões de metros cúbicos por dia com a instalação de mais uma estação de compressão.
A Petrobras possui ainda participação em duas plantas de processamento de gás localizados nos campos de San Alberto e Sábalo, com capacidade para processar 13 milhões de metros cúbicos por dia.
Segundo a empresa, um dos passos mais importantes da Petrobras na Bolívia foi a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) entre 1997 e 2000, que serviu para estabelecer um fluxo de integração da produção boliviana de gás natural operada pela Petrobras com o mercado consumidor brasileiro.
A produção internacional da Petrobras representa cerca de 10% da produção da empresa.