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Presidente do PP-DF diz que o “mensalão” existia sim

Presidente do PP-DF diz que o “mensalão” existia sim

O presidente do PP-DF e secretário-geral do partido, Benedito Domingos (foto), confirmou que existia o "mensalão", mas que era chamado de "apoio financeiro". Antes da intervenção do PP nacional na legenda do DF – que trocou temporariamente Benedito pelo senador Valmir Amaral na presidência – Benedito era tesoureiro nacional do PP.

O presidente do PP-DF e secretário-geral do partido, Benedito Domingos, confirmou que existia o “mensalão”, mas que era chamado de “apoio financeiro”. Antes da intervenção do PP nacional na legenda do DF – que trocou temporariamente Benedito pelo senador Valmir Amaral na presidência – Benedito era tesoureiro nacional do PP.

Segundo ele, o dinheiro circulava pelo caixa 2 e a distribuição dos recursos era feita no apartamento do deputado José Janene (PP-PR), em um edifício funcional, na Asa Sul, conhecido por “pensão” pelos deputados do PP.

“O zunzunzum era muito forte. Um grupo sempre freqüentou a casa do Janene. Sempre houve uma grande movimentação. A casa do Janene era chamada de pensão”, contou o presidente do PP/DF.

Segundo Benedito, em abril, o ex-líder do PP deputado Pedro Henry (PP-MT) o chamou em seu gabinete com a proposta de “uma ajuda financeira” em troca da presidência. Henry se dizia o porta-voz escolhido pelos deputados Pedro Correia (PP-PE) e José Janene (PP-PR) para lhe propor o abandono da presidência do PP no DF, cargo que acumulava com de secretário-geral. O encontro não teve testemunhas.

BOA AJUDA

Amigo pessoal de Benedito, o ex-líder teria dito que o partido “daria uma boa ajuda” se ele abrisse mão da presidência. “Eu agradeço, não aceito e fico diminuído com essa proposta e não abro mão do cargo no DF”, recusou Domingos, de acordo com seu relato. “Então desconsidere o que eu te falei”, finalizou Henry.

Ao revelar a conversa, Domingos procurou inocentar o deputado Henry. “Ele só falou porque era meu amigo e o Janene e o Pedro Correia pediram”, ressalvou. Nas suas revelações, Benedito – que já foi deputado por duas vezes e também vice-governador do Distrito Federal – disse que o chamado “mensalão” não tinha esse nome e circulava em uma espécie de caixa 2. “Você sabe que as pessoas tinham, mas não sabia de onde vinha”, afirmou.

Benedito disse que o partido tem cargos no Instituto Resseguros do Brasil (IRB), nos Correios e Telégrafos e na Companhia de Abastecimento. Falou que chegou a ser indicado para uma diretoria dos Correios, mas acabou sendo vetado pelo próprio Janene. “Agora, eu tenho de agradecer a ele”, ironizou.

Benedito aguarda uma reunião da Executiva Nacional do PP, que pretende expulsá-lo do partido, por não se submeter à intervenção do comando nacional. A reunião foi adiada de ontem para hoje. A cúpula do PP quer devolver a presidência da sigla – que Benedito ganhou naJustiça – ao senador Valmir Amaral, que entrou no partido há um mês.

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