seu conteúdo no nosso portal

Governo envia ao Congresso projeto de lei que libera aborto

Governo envia ao Congresso projeto de lei que libera aborto

O presidente da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, deputado Benedito Dias (PP-AP), prometeu colocar em discussão, o mais rápido possível, o projeto que descriminaliza o aborto. Segundo a assessoria de imprensa da Câmara, o texto foi entregue nesta terça-feira à casa pela secretária especial de Políticas para Mulheres, ministra Nilcéia Freire.

O presidente da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, deputado Benedito Dias (PP-AP), prometeu colocar em discussão, o mais rápido possível, o projeto que descriminaliza o aborto. Segundo a assessoria de imprensa da Câmara, o texto foi entregue nesta terça-feira à casa pela secretária especial de Políticas para Mulheres, ministra Nilcéia Freire.

Segundo Nilcéia, o projeto foi elaborado por comissão tripartite integrada por representantes dos Poderes Executivo e Legislativo e de entidades da sociedade civil, com a participação de médicos e juristas. O debate do texto, de acordo com a ministra, envolveu cerca de 120 mil brasileiras em todas as fases da Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizada em 2004. “O trabalho está entregue. Nós cumprimos com o nosso compromisso. Daqui para a frente, cabe ao Congresso e à sociedade decidirem sobre o tema.”

Tema polêmico

A proposta receberá parecer da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), relatora que já analisa outros projetos sobre o assunto na Comissão de Seguridade. Para ela, o tema é polêmico e deverá ser definido pelo voto dos parlamentares. “Esse processo vai ocorrer com ampla democracia e quem vai decidir é a maioria. A entrega do projeto foi um grande passo, acho que agora a coisa caminhará com mais tranqüilidade”, disse a deputada.

Segundo Feghali, o texto entregue hoje é muito semelhante ao substitutivo que já vinha elaborando. Ela informou que o tema deverá ser debatido em audiência pública, e que a votação da proposta poderá ser iniciada ainda neste ano.

O que diz o projeto

De acordo com o projeto, “toda mulher tem o direito à interrupção voluntária de sua gravidez, realizada por médico e condicionada ao consentimento livre e esclarecido da gestante”. O texto garante a realização do aborto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e sua cobertura por planos privados; e pune os autores de procedimentos ilegais que venham a causar morte ou lesão corporal na gestante.

A proposta assegura a interrupção voluntária da gravidez nas seguintes condições:

– até 12 semanas de gestação;

– até 20 semanas, no caso de gravidez resultante de crime contra a liberdade sexual (estupro);

– no caso de diagnóstico de grave risco à saúde da gestante; e

– no caso de diagnóstico de má-formação congênita incompatível com a vida ou de doença fetal grave e incurável.

Pelo texto, menores de 18 anos também poderão realizar o procedimento, mas precisarão da autorização dos pais.

Atual legislação

O Código Penal, de 1940 e ainda vigente, considera o aborto crime em qualquer hipótese, exceto quando se trata de salvar a vida da gestante ou quando a gravidez é resultante de estupro.

Apesar ou por causa da proibição, o aborto é a quarta causa de morte materna no Brasil. Por ser considerado crime, muitas mulheres recorrem a clínicas clandestinas e colocam a vida em risco. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 1,4 milhão de interrupções de gravidez são feitas anualmente no País.

Compartihe

OUTRAS NOTÍCIAS

Sócio retirante desligado antes do Código Civil de 2002 não se submete ao prazo de dois anos
TJMT mantém multa aplicada a posto por falta de informação sobre preços
Borracheiro receberá adicional de insalubridade por estresse térmico