O impasse sobre a venda da subsidiária de transporte de cargas da Varig, a Varig Log, será resolvido por meio de uma perícia judicial. Os juízes Luiz Roberto Ayoub e Márcia Cunha, que integram a comissão de juízes do Tribunal de Justiça do Rio responsável pelo processo de recuperação judicial da empresa aérea, decidiram ontem que uma perícia deve verificar a necessidade e a utilidade da venda da Varig Log.
Segundo a Justiça, a determinação é conseqüência do pedido feito pela Varig. A empresa sustenta que precisa vender a subsidiária para aumentar o fluxo de caixa e manter a companhia aérea em funcionamento.
A venda da Varig Log será alvo de discussões também na próxima assembléia de credores, no dia 13 de outubro, quando será definido o representante dos trabalhadores e será votado o plano de recuperação apresentado pela administração à Justiça no dia 12 de setembro.
A venda da subsidiária não foi bem recebida pelos credores, que questionam o valor de venda da empresa, de R$ 38 milhões. Existem críticas também quanto ao fato de a Varig pretender se desfazer de um ativo considerado saudável.
Para os juízes, diante de uma possível controvérsia sobre o objetivo da venda do ativo, tornou-se indispensável a vinda de informações por um perito de confiança para a tomada de decisão.
“Entendemos prudente a realização da perícia judicial para o fim de verificar a utilidade/necessidade de realização de um dos ativos da empresa para garantir a efetividade do plano”, afirmam os juízes Luiz Roberto Ayoub e Márcia Cunha em um dos trechos da decisão.
A Deloitte Touche Tohmatsu será intimada para manifestar se aceita a nomeação e em caso de aceitar a atribuição, determinar o valor do serviço. A Varig e os demais interessados poderão indicar assistentes técnicos e formular quesitos para o perito.
Para o presidente do Conselho de Administração da Varig, David Zylbersztajn, a decisão da Justiça foi acertada. “Isso vai dar conforto aos juízes e aos credores para tomarem a decisão. O que a auditoria quiser, vai ter à disposição. É claro que preferíamos que isso tivesse sido definido antes porque quanto mais o tempo passa, mais difícil fica a situação da empresa”, disse.