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Paulo Maluf completa um mês preso, mas pode sair após depoimentos

Paulo Maluf completa um mês preso, mas pode sair após depoimentos

Assim que tenham sido ouvidas as duas últimas testemunhas de acusação, o ex-prefeito paulistano Paulo Maluf (PP) e seu filho Flávio terão melhores chances de obter a liberdade na Justiça. Esta é a opinião de três especialistas em direito criminal consultados por Última Instância para falar sobre o caso. A Justiça ainda não divulgou a data dos depoimentos, mas a defesa e o Ministério Público esperam que as oitivas aconteçam em breve.

Assim que tenham sido ouvidas as duas últimas testemunhas de acusação, o ex-prefeito paulistano Paulo Maluf (PP) e seu filho Flávio terão melhores chances de obter a liberdade na Justiça. Esta é a opinião de três especialistas em direito criminal consultados por Última Instância para falar sobre o caso. A Justiça ainda não divulgou a data dos depoimentos, mas a defesa e o Ministério Público esperam que as oitivas aconteçam em breve.

Com um mês de prisão preventiva completada nesta segunda-feira (10/10), cumprida na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, no bairro da Lapa, Maluf e Flávio têm poucas chances de sair neste momento. Eles aguardam o julgamento do mérito de seus habeas corpus no TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, em São Paulo, e Flávio possui ainda um pedido de liminar pendente no STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo os criminalistas consultados pela reportagem, agora somente o surgimento de fatos novos pode justificar novas ações por parte dos advogados. E o encerramento das oitivas das testemunhas de acusação será, não somente um fato novo, mas um que pode significar a extinção do motivo que ensejou a prisão preventiva, decretada dia 9 de setembro pela juíza Silvia Maria Rocha, da 2ª Vara Federal Criminal, por conveniência da instrução criminal.

“No momento em que for ouvida a última testemunha de acusação, o motivo que suscitou a decretação da prisão preventiva terá sido superado”, diz o criminalista David Rechulski. Com a tese concordam Leandro Sarcedo e Adriano Vanni, também especialistas em direito criminal.

A defesa dos Maluf, para obter a liberdade de seus clientes, sequer precisa pedir um novo habeas corpus. No final da própria audiência da última testemunha de acusação, explica Rechulski, o advogado pode pedir a palavra e requerer o fim da provisória por termo de audiência. “E se a juíza não conceder na hora, ele pode entrar novamente com um HC”, completa.

Não estão descartadas novas reviravoltas no processo, como diz o criminalista Leandro Sarcedo: “A briga, quando se trata de réu preso, é uma briga difícil mesmo, surgem novos fatos, surge a necessidade de novos pedidos. Em geral é uma briga longa.”

Segundo apurou Última Instância, faltam somente duas testemunhas de acusação a serem ouvidas. Uma delas é Joel Guedes Fernandes, ex-funcionário da construtora Mendes Júnior, responsável pelas obras da avenida Água Espraiada (atual avenida Roberto Marinho). Haverá ainda uma segunda testemunha cujo nome não foi divulgado. O MPF (Ministério Público Federal) pretendia ouvir também uma testemunha estrangeira, mas desistiu para não retardar a instrução criminal.

“PF não é hotel”

Foi o que disse um segurança da Superintendência da Polícia Federal no dia 11 de setembro, quando um carteiro tentou entregar um telegrama ao ex-prefeito Paulo Maluf. Mas entre o discurso e a realidade, Maluf e Flávio puderam receber visitas fora do dia oficial (que é a quinta-feira), leram cartas mandadas por amigos, comeram guloseimas enviadas por parentes e pessoas próximas e ainda permaneceram em celas com menos pessoas que outros presos especiais.

O tratamento dispensado pela PF a Maluf e Flávio, nestes 30 dias, foi progressivamente mais rigoroso. Os motivos das mudanças foram as reportagens divulgadas pela imprensa revelando as supostas regalias que os dois teriam.

A primeira mudança foi com relação à comida. Preso no sábado (10/9), Maluf teve um final de semana com café, almoço e jantar enviados pela sua família, além de receber quibe e quindim enviados por amigos. Quando a PF proibiu a entrada de alimentos, na segunda-feira, Maluf protestou em entrevista à TV Bandeirantes. “Não daria nem para o meu cachorro”, foram as palavras do ex-prefeito sobre a alimentação que recebe, a mesma dos funcionários da Superintendência.

Maluf e Flávio também “progrediram” de celas individuais para coletivas. Ainda assim, os dois se mantiveram em melhor situação que outros presos. Segundo contou Rosane Paula Santos, que visitou o marido na Superintendência da PF no dia 15 de setembro, o ex-prefeito dividia então cela somente com seu filho Flávio, enquanto havia celas com até oito pessoas, todos presos com direito a regime especial. Desde então, Maluf e Flávio passaram a dividir cela com outros dois presos.

Saúde abalada

Quando se entregou à PF na madrugada de 10 de setembro, Maluf parecia abatido, estava cabisbaixo, mas não tinha o aspecto de um homem doente. Já nas imagens divulgadas na última semana, quando o ex-prefeito foi escoltado até à Justiça Criminal Federal, para acompanhar o depoimento de duas testemunhas de acusação, Maluf dava a impressão de ter sofrido bastante o impacto deste mês de detenção.

Na noite de 26 de setembro, Maluf se queixou de dores no peito e foi examinado por um médico da PF. Para que fossem feitos novos exames, o ex-prefeito foi transferido, no dia seguinte, para o Incor (Instituto do Coração), também na cidade de São Paulo. Embora o laudo médico tenha descartado a possibilidade de enfarto agudo do miocárdio, e o paciente tenha recebido alta e voltado à PF, ele continuou reclamando de dores.

O advogados conseguiram então que a Justiça concedesse a Maluf o direito de receber visitas do médico da família, Sérgio Nahas. Mas o pedido só foi feito depois que os advogados abdicaram da solicitação que haviam feito de que Maluf fosse transferido a uma clínica particular. Maluf também realizou dois exames gástricos no Hospital das Clínicas, em São Paulo, no sábado (8/10). O tratamento, entretanto, deverá ser realizado na própria sede da PF.

Segundo os criminalistas Adriano Vanni e David Rechulski, a situação de saúde de Maluf, aliada a outras características de seu processo, podem fazer com que a Justiça conceda prisão domiciliar ao ex-prefeito. “Ele tem mais de 70 anos, está sem passaporte, tem residência fixa, é perfeitamente cabível”, analisa Rechulski, sobre a possibilidade da domiciliar. Já o advogado criminalista Leandro Sarcedo objeta que “saúde não é motivo de soltura, para isto existem os hospitais penitenciários”.

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