Lewis Libby Jr., o principal conselheiro e assessor do vice-presidente americano, Dick Cheney, foi indiciado nesta sexta-feira por obstrução da Justiça, falso testemunho e perjúrio. Ele está envolvido no caso de vazamento de informação sobre a identidade da agente da CIA, Valerie Plame, ocorrido em 2003.
O caso aconteceu depois que o repórter Robert Novak publicou uma coluna em vários jornais do país noticiando que Plame, então mulher do embaixador americano Joseph Wilson, estava vinculada à agência de inteligência dos Estados Unidos.
Karl Rove, o principal assessor do presidente americano, George W. Bush, que também está associado ao vazamento da informação para jornalistas, aparentemente escapou de qualquer condenação, mas deve continuar sob investigação.
O indiciamento é o resultado de dois anos de investigação, realizados pelo conselheiro especial Patrick Fitzgerald, sobre a atuação de Rove e Libby no caso.
O documento divulgado pela Justiça acusa Libby de mentir sobre como e quando ele soube da existência de Plame, e de ter vazado a informação para a imprensa. Nos EUA, divulgar a identidade de um agente da CIA é crime.
Nesta semana, o jornal americano “The New York Times” publicou uma reportagem dizendo que Libby soube por Cheney da existência de Plame, semanas antes de a informação vir a público.
Na época da divulgação da identidade de Plame, Wilson tinha sido enviado pela CIA à África em 2002, para pesquisar a suposta compra de urânio do Níger pelo Iraque. A intenção era que ele reforçasse a idéia de que o então ditador iraquiano, Saddam Hussein, tinha em seu poder armas de destruição em massa, o que não aconteceu.
Mais de um ano depois, Wilson publicou, no “New York Times”, um artigo intitulado “O que eu não encontrei na África”, onde ele questionava se a administração do presidente George W. Bush tinha manipulado a CIA sobre o programa de armas de Saddam, para justificar a invasão no Iraque.