O ex-senador Luiz Estevão, presidente do Brasiliense, foi detido após desacatar um oficial do Corpo de Bombeiros, no início da tarde desta terça-feira. O cartola esteve na Diretoria Técnica da Corporação, no Setor Bancário Norte, para solicitar cópias de processos relativos aos estádios Mané Garrincha, localizado na capital federal, e Serejão, em Taguatinga – esse último é casa do time do cartola. Ele queria comparar os dois processos, já que, apesar das irregularidades, o Mané Garrincha não foi interditado como aconteceu com o estádio do Jacaré na semana passada. Como o estádio de Brasília não é parte do processo, Estevão teve o pedido negado. Isso teria motivado o desentendimento.
Nenhum dos dois campos atende às exigências do Estatuto do Torcedor, como ter todos os lugares numerados, por exemplo. O Serejão foi interditado na sexta-feira passada pela 17ª Vara Cível de Brasília por não atender os requisitos mínimos de segurança exigidos pelo Corpo de Bombeiros. Com isso, o jogo do Brasiliense contra o Botafogo, no último domingo, teve que ser disputado no Mané Garrincha.
De acordo com o tenente Gleydson Andrade, o ex-senador o chamou de “bicha” ao ter o pedido da cópia do processo do estádio de Brasília negado. “Eu mostrei o laudo. Mas ele não pôde tirar cópia porque não é parte no processo. Me chamou de bicha incompetente”, afirmou.
Antes de prestar depoimento na Delegacia de Repressão a Pequenas Infrações (DRPI), Estevão admitiu que desrespeitou o oficial. “Xinguei ele de bicha. Não sabia que xingar alguém de veado era segregação racial”. Após ser desrespeitado, o tenente deu voz de prisão ao ex-senador.
Ao sair do depoimento, Estevão mudou de versão e disse que não desacatou ninguém. “Eu apenas retruquei uma ofensa. Fui muito mal atendido e mal tratado. No calor da discussão, disse aquilo”, contou.
Testemunha do fato, o autônomo Getúlio Lacerda, 59 anos, ficou assustado. “Nunca vi um oficial desrespeitar ninguém. Isso não é verdade. O presidente do Brasiliense se exaltou. Se mostrou arrogante e chamou o bombeiro de bicha incompetente”, garantiu.
Justiça
Após ouvir as duas partes, o delegado Moisés Martins caracterizou o fato como desacato à autoridade pública. Ele disse também que nenhuma das testemunhas confirmou a versão sustentada por Estevão. O caso foi parar na mesa de um juiz de plantão do Tribunal de Justiça do DF (TJDF). Como Luiz Estevão já foi condenado em caso semelhante no passado, não pode gozar das prerrogativas de réu primário, o que garantiria a prestação de serviços comunitários ou o pagamento de cestas básicas a instituições de caridade.
O promotor de Justiça que estava de plantão, Jonas Fernandes Pinheiro, encaminhou os autos para o Ministério Público do Distrito Federal (MPDF). O órgão vai analisar o conteúdo dos depoimentos e decidir se oferece denúncia contra o senador cassado.
O tenente Gleydson informou que mesmo que não haja denúncia formulada pelo MPDF, ele vai processar Luiz Estevão por danos morais. “O quanto antes. Vou processá-lo. Ele me ofendeu na frente dos meus colegas de trabalho. Como vou olhar para eles agora”, se questiona.
Interdição
O Serejão, em Taguatinga, foi interditado pela Justiça na última sexta-feira. Segundo a juíza Fernanda Cerqueira, não há saídas de emergência nas alas norte, sul, leste e oeste do estádio, o sistema elétrico está irregular e a estrutura metálica das arquibancadas não está aterrada, entre outras deficiências. O clube está sujeito a uma multa de R$ 200 mil por partida realizada no estádio em condições irregulares.