Cuba acusou hoje o Governo dos EUA de “abafar a verdade” e obstruir a Justiça nos processos dos cinco cubanos condenados por espionagem no país e do dissidente cubano Luis Posada Carriles, destacou hoje o jornal oficial Granma.
“Nunca antes se revelou com tanta desfaçatez a dupla moral das autoridades norte-americanas no enfrentamento do terrorismo”, afirmou o editorial.
O jornal cubano se referiu à decisão do Departamento de Segurança Territorial americano (DHS, em inglês) de não apelar da decisão de um juiz de El Paso, no Texas, que impede a extradição de Posada para Cuba e Venezuela, onde foi acusado de terrorismo.
“Ao não apelar da vergonhosa determinação, os funcionários do DHS (…) abençoaram a farsa do Passo e acabam de autorizar a permanência definitiva em território americano daquele que é considerado um dos dois terroristas mais perigosos de nosso hemisfério”, ressaltou.
O anticastrista e ex-agente da CIA Luis Posada Carriles, detido em maio nos EUA por entrar ilegalmente no país, foi acusado por Cuba de planejar o atentado contra um avião da Companhia Cubana de Aviação em 1976, que causou a morte de 73 pessoas. A Venezuela pediu sua extradição.
Cuba sustenta que o Governo americano “se refugia em outro escandaloso silêncio sobre o pedido de extradição, abundantemente embasado pela Venezuela”, e acusa Washington de “satisfazer a máfia cubano-americana que controla o sul da Flórida”.
“Basta de mentiras e dissimulações. Os que ordenaram a infame decisão de El Paso são os mesmos que não recorreram dela. Todos são, no fim das contas, funcionários da mesma administração e sabe-se que todos cumpriam ordens diretas de Washington”, insistiu o editorial do Granma.
O órgão oficial do Partido Comunista de Cuba denunciou também a decisão da Corte de Apelações de Atlanta, na Geórgia, de acatar a apelação da Procuradoria contra a decisão judicial que revogou, em agosto, as penas de cinco cubanos acusados de espionagem por uma corte de Miami.
“A aceitação (…) propicia uma dilatação do processo, afastando a possibilidade de que se faça Justiça de forma imediata”, afirmou o Granma.
Gerardo Hernández, Fernando González, Ramón Labañino, René González e Antonio Guerrero foram condenados após o desmantelamento da “Rede Vespa”, no sul da Flórida em 1998.
Havana reconhece que os cinco cubanos são agentes mas garante que se infiltraram em organizações anticastristas de Miami para evitar atos de terrorismo e que enviaram informação sobre supostos planos desses grupos contra vôos internacionais.
“Silenciar a verdade é um crime imperdoável, ainda mais quando nela está a possibilidade de dar justo castigo aos assassinos e merecido reconhecimento aos heróis”, insistiu o diário. EFE emr tm/ca.