Um dos redatores do processo de acusação que desembocou no impeachment do presidente Fernando Collor, o jurista Miguel Reale Jr. afirmou nesta sexta-feira que a omissão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao zelo pela administração pública fica cada vez mais clara, o que pode acabar num processo de impedimento. “Cada vez mais se efetiva a omissão. Os laços dos acusados, entre eles Delúbio, pareciam ser muito íntimos com o presidente. Essa omissão (com relação ao zelo da administração pública) parece já estar configurada”, afirmou o jurista.
Segundo ele, os pilares da acusação a Collor eram a omissão e os depósitos feitos na conta da sua secretária, Ana Acioly, que serviram aos pagamentos de despesas pessoais. “Se Collor foi responsabilizado por ser beneficiário dos depósitos feitos na conta de Ana Acioly, Lula pode ser acusado de ter se beneficiado de uma maioria congressual comprada”, disse, ressaltando, entretanto, que essa conclusão só poderá ser tirada ao término das investigações. “É bom lembrar que o processo contra Collor só se iniciou após o encerramento da CPI. Diria que só agora a CPI entra na fase de investigação mais efetiva e já é possível perceber uma grande e complexa rede de beneficiamento”, disse.
Para Reale Jr., não há a necessidade de se comprovar o beneficiamento financeiro direto do presidente para que se peça o impeachment. “Não é possível admitir que o presidente não saiba como se forma uma maioria congressual. E se for verdade, isso é uma omissão grave.