O novo relatório parcial que a CPI dos Correios deverá divulgar amanhã identificará todas as empresas públicas e privadas, além de pessoas físicas, que alimentaram as contas de nove empresas de Marcos Valério nos últimos cinco anos. Um levantamento preliminar indica que o Banco do Brasil, suas subsidiárias, como a Visanet, BB Administradora de Cartões de Crédito, Brasilprev, Companhia de Seguros Aliança do Brasil, Banco Popular e BBtur Viagens e Turismo Ltda, e ainda a Caixa de Assistência dos Funcionários do BB (Cassi) e a Fundação Banco do Brasil foram responsáveis por um terço dos créditos registrados entre 2001 e 2005 nas contas do empresário mineiro, que totalizam R$ 1,2 bilhão.
BB e Visanet fizeram 60% dos depósitos para a DNA
A maior parte dos R$ 407,4 milhões foi depositada pelo BB e suas subsidiárias para a DNA Propaganda: cerca de R$ 399,3 milhões. Os maiores aportes foram feitos em 2003 e 2004, quando só o BB e a Visanet foram responsáveis por mais de 60% de todos os depósitos na conta da DNA. Já a Multiaction, empresa de eventos de Valério, ficou com cerca de R$ 8,1 milhões.
— Os que participaram da arrecadação de fundos para a campanha do PT foram os mesmos que ficaram responsáveis pela arrecadação de fundos no governo. Do lado de fora estava o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e dentro, o ex-diretor de Marketing do BB Henrique Pizzolato — diz Eduardo Paes (PSDB-RJ), integrante da CPI.
Semana passada, a CPI identificou uma conexão comprovando que ao menos R$ 10 milhões dos R$ 44,4 milhões pagos pela Visanet/BB para a DNA em 2004 teriam ido para as contas do PT e seus aliados. Para o relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), essa seria a primeira prova de que os recursos públicos teriam alimentado chamado valerioduto.
A CPI investiga agora se parte dos R$ 23 milhões pagos pela Visanet/BB à agência em 2003 também não teve o mesmo destino. O banco e suas subsidiárias não são as únicas fontes de recursos públicos que abasteceram as contas de Valério. Constam outras estatais como Eletronorte e os Correios, além da Subsecretaria de Planejamento do Ministério do Esporte, a Câmara dos Deputados, o Governo do Distrito Federal (GDF), a Câmara Legislativa do Distrito Federal e as prefeituras mineiras de Contagem e Betim. Todas com a alegação formal de que pagaram por prestação de serviços das agências de Valério.
Muitas empresas privadas estão na relação, como a Telemig Celular, Amazônia Celular, Brasil Telecom, Usiminas, Cosipa e até mesmo a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), de propriedade do vice-presidente José Alencar. Mas não há prova de que essas empresas possam ter contribuído com o sistema de arrecadação para o PT montado por Valério.