O promotor Roberto Tardelli, responsável pela acusação no caso Richthofen, afirmou não haver instrumentos que o Ministério Público Estadual (MPE) possa usar para recorrer da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que soltou os irmãos Cravinhos.
“A única providência que o Ministério Público pode tomar para impedir que eles saiam da prisão é torcer para que o motorista de táxi que foi buscá-los encontre muito trânsito”, disse o promotor, alternando ironia e indignação: “Esse é o mais grave crime que se pode imaginar. Se isso não basta, o que é preciso para ensejar uma prisão?”
Segundo Tardelli, não há garantia alguma de que os réus vão se apresentar espontaneamente para serem julgados – o julgamento não pode ser feito à revelia. “Eles já conhecem a cadeia e sabem que serão condenados a, no mínimo, 30 anos”, argumentou, exemplificando um motivo para uma possível fuga dos irmãos.
Para o promotor, o grande erro no caso ocorreu quando Suzane foi libertada pelo STJ, porque a decisão judicial que determinou a prisão estava mal fundamentada. “O STJ, em vez de corrigir o erro, resolveu repeti-lo.” O problema é que a decisão que mantinha Suzane presa era a mesma que justificava a prisão dos Cravinhos. Assim, se ela não valia para um, também não valia para os outros.
Com os réus soltos, o promotor disse que o caso pode demorar até dez anos para ser julgado. É que os processos com réus presos têm prioridade na pauta da Justiça – apesar disso, os acusados estavam presos havia três anos sem julgamento. “Foram os recursos da defesa que provocaram isso.”