BOGOTÁ. “Em seguida daremos início ao nosso serviço de bordo.” O aviso nos aviões é o mesmo, mas o serviço mudou muito: um guardanapo, um pacote de amendoim e um copo com água, suco ou refrigerante substituíram em muitas companhias latino-americanas as refeições mais completas, que incluíam carne ou frango. Nos primeiros vôos matinais domésticos da empresa colombiana Avianca, por exemplo, são oferecidos empanada , sanduíche ou uma pequena torta, além de bebidas. Isso nas principais rotas.
— Nos outros vôos, só bebidas — diz Antonio Sánchez, gerente da Gate Gourmet, empresa de catering de Bogotá que atende a Avianca e outras companhias aéreas.
O fenômeno também se repete nos EUA. Para Claudia Velásquez, assistente da presidência da Associação de Transporte Aéreo da Colômbia (Atac), a busca por eficiência obriga as empresas a cortar gastos.
— As refeições a bordo acabarão em cinco anos, se o preço do combustível não baixar e o lucro não voltar — diz.
Hoje, muitas companhias que cobrem rotas internacionais com mais de duas horas ainda dão refeições completas e oferecem bebidas alcoólicas sem custo. Ao menos no primeiro trago. Os seguintes podem custar até US$ 5. Algumas, como a salvadorenha Taca, já cobram pela comida. Segundo Hugo Badillo, supervisor da Taca em Bogotá, a empresa cobra pela comida em vôos com mais de uma hora e meia.
Nem o fone de ouvidosai mais de graça
A medida já é comum em outros países. Em viagens na Europa, muitos passageiros levam um sanduíche de casa para comer nos vôos operados por companhias de baixo custo.
— Uma viagem entre Londres e Madri pela Ryanair (inglesa) pode custar 25 euros. Não dão nem água, mas você pode comprar alguma coisa no avião, a um custo um pouco mais alto que o do supermercado — diz o turista colombiano Francisco Forero.
Segundo Sánchez, da Gate Gourmet, a idéia é trocar a comida por entretenimento a bordo e tarifas baixas — embora muitas empresas já cobrem US$ 3 dólares pelo fone para acompanhar o filme de bordo.
— As empresas tinham é que baixar as tarifas, porque já não agüentamos o custo — reclama o colombiano Carlos Vargas.
(*) El Tiempo, da Colômbia, faz parte do Grupo de Diarios América