Os réus Deivid Antony Silva de Luna e Carlos Vinícius Lírio da Silva, acusados de tentar resgatar o preso Marcélio Andrade de Souza nas proximidades do Fórum da Ilha do Governador em dezembro, foram interrogados pelo juiz Flávio Horta, titular da 1ª Vara Criminal da Ilha do Governador, na última quinta-feira (19 de janeiro). Eles respondem por dois homicídios qualificados, dois homicídios simples e por motim de presos.
Deivid fez uso da delação premiada e apontou nomes de vários comparsas, entre eles seu irmão Diego, que foi morto na operação. O acusado falou também que Carlos Vinícius, conhecido como “Cabeça”, foi atuante no resgate de Marcélio.
O réu afirmou ainda que nunca teve ligação com o tráfico e que foi convidado para participar do resgate por seu irmão, que havia prometido dinheiro caso o grupo tivesse sucesso. Eles seguiram a viatura da polícia com um carro roubado, usando camisetas da Polícia Civil distribuídas pelo próprio Diego.
O plano seria não parar a viatura antes de chegar ao Fórum. No momento combinado, abordaram os policiais e houve troca de tiros. Marcélio foi retirado da viatura e, logo em seguida, entrou no carro dos bandidos.
O grupo fugiu em direção à saída da Ilha do Governador, mas o carro quebrou e recomeçou a troca de tiros com os policiais. Neste momento, segundo Deivid, chegaram muitas viaturas e eles tiveram que pular o muro do Quartel da Aeronáutica. O réu afirmou que passou a noite na mata e foi preso na manhã seguinte.
Já Carlos Vinícius disse que não participou da operação de resgate. Ele afirmou que, por ser motoboy, foi chamado por traficantes da comunidade Vila dos Pinheiros para resgatar pessoas que estavam cercadas na mata.
Carlos alegou que não sabia quem eram essas pessoas, apenas teria ido socorrê-las porque mora na comunidade e não poderia desobedecer aos traficantes. Ele disse que foi até o local, mas, no momento em que viu policiais por perto, ficou com medo, correu e, em seguida, foi preso. O acusado admitiu já ter estado detido por roubo outras vezes, mas disse que desde que saiu da cadeia não mais se envolveu com fatos delituosos.
A prova de acusação está marcada para o próximo dia 31, às 15h, na 1ª Vara Criminal da Ilha do Governador. Nesta etapa, serão ouvidas testemunhas arroladas pelo Ministério Público.