A defesa do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, foi à Justiça contra a Esaf (Escola Superior da Administração Fazendária) e pediu indenização por danos morais. A defesa alega que a escola causou danos a seu cliente em um concurso realizado no começo deste ano, por ter feito os candidatos responderem, numa questão de múltipla escolha, qual é o crime de um funcionário público chamado Delúbio. O processo foi distribuído para a 8ª Vara, cujo titular é o juiz federal Iran Velasco Nascimento.
Segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal, Delúbio alega que a Esaf realizou nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2006, os exames do concurso público para ingresso na carreira de procurador da Fazenda Nacional e, no item 86 da prova objetiva, apresentou seu nome como autor de crime contra a administração pública.
Veja abaixo a transcrição da questão, segundo a inicial:
“86 – Delúbio, Funcionário público, motorista de veículo oficial – Placa OF/DF,
Indevidamente, num final de semana, utiliza-se do carro a fim de viajar com a família. No domingo, à noite, burlando a segurança, recolhe o carro à garagem da repartição. Delúbio cometeu o crime de:
a) peculato.
b) apropriação indébita.
c) peculato de uso.
d) peculato-desvio.
e) furto.”
Com base na questão, argumenta a inicial, “tal entidade traçou à opinião pública um perfil criminoso do Autor, que, obviamente, não condiz com a realidade”. E mais adiante: “Com efeito, a gravidade e a reprovabilidade da conduta aumentam sobremaneira ao se verificar que até os familiares do autor foram incluídos na questão”.
Segundo a assessoria da Justiça, Delúbio argumenta que a questão gerou muitos comentários irônicos entre os cerca de 10 mil candidatos participantes do concurso, em razão da expressa imputação a ela da prática de crimes contra a administração pública.