Acusado de integrar uma quadrilha que praticava estelionato com a utilização de cartões de créditos, o motorista Evandro da Silva Mendes assumiu hoje parcialmente o crime, durante interrogatório realizado pelo juiz Marcelo Fleury Curado Dias, da 9ª Vara Criminal de Goiânia. Afirmando não conhecer os quatro demais integrantes do grupo, Evandro afirmou que obteve apenas dois cartões de crédito de maneira fraudulenta, com os quais fez compras em supermercados, loja de brinquedos, jeans, calçados e perfumes, totalizando mais de R$ 3 mil.
Evandro, que foi preso em flagrante quando recebia um cartão de crédito fraudulento via Correios, disse que tem interesse em ressarcir o Itaucard e relatou que as emissões dos cartões de crédito lhe foram viabilizadas por um hacker chamado João Barros, que conheceu no MSN Messenger e a quem pagou 300 reais pelo serviço. Também interrogada , a vendedora Francisca das Chagas Oliveira da Silva, acusada dos mesmos crimes, negou qualquer envolvimento com o estelionato e declarou que, embora conheça todos os demais acusados – sendo um deles, Jaylson, seu marido – não tinha conhecimento dos fatos.
Além de Evandro e Francisca, são acusados de formação de quadrilha e estelionato, Jaylson Pereira da Silva, Rosymeire Pereira da Silva e Cristiano Cardoso da Silva. Jaylson será interrogado por carta precatória já enviada a Uruaçu enquanto Rosymeire e Cristiano tiveram a prisão decretada e estão foragidos. De acordo com denúncia do Ministério Público, o grupo já era conhecido por ter praticado vários crimes em Parauapebas – local no Pará comumente chamado de a cidade dos hackers – e começou a atuar em Goiânia a partir do final de 2005.
De acordo com a promotoria, os crimes consistiam na aquisição de cartões de crédito adicionais (ou segunda via) da instituição financeira Itaucard, sem o conhecimento dos titulares. Os cartões eram obtidos na empresa Orbitall Serviços e Processamentos de Informações Comerciais Ltda., prestadora de serviços terceirizados à Itaucard na área de segurança e emissão de cartões. Para adquiri-los, a quadrilha repassava, à Orbitall, dados falsos fornecidos via internet por hackers não identificados.
Os hackers eram contactados pelo grupo por meio do MSN Messenger e cobravam 300 reais por cartão. Esse valor era creditado em contas-correntes de terceiros, que atuavam como laranjas. No total, a quadrilha adquiriu 16 cartões de crédito fraudados. De posse deles, fez compras em vários estabelecimentos comerciais de Goiânia, causando prejuízo de R$ 16.825,94 ao Itaucard e à Orbitall.