O ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, declarou-se inocente pelos crimes de guerra e contra a humanidade pelos quais é acusado em julgamento perante o Tribunal Especial da ONU em Serra Leoa nesta segunda-feira.
Durante o julgamento, Taylor afirmou que “não esteve comprometido” com as atrocidades cometidas durante a guerra civil em Serra Leoa.
A segurança foi severa em torno do Tribunal Especial em Serra Leoa. Taylor e autoridades receberam ameaças de morte e serão transportados em veículos blindados e escoltados por membros das tropas de paz da Mongólia e da Irlanda.
Taylor enfrenta 11 acusações de crimes de guerra e crimes contra humanidade, por ajudar no prolongamento do conflito que durou mais de uma década, no qual civis eram mortos e crianças eram levadas à força de suas casas para se tornarem soldados mirins.
Ele chegou algemado à Serra Leoa na semana passada para ser julgado pelo Tribunal Especial da ONU de Freetown, após quase três anos de exílio na Nigéria.
Vários advogados dispostos a defender Taylor chegaram a Freetown neste domingo, vindos da Libéria ou de outros países do oeste da África.
No entanto, ele deve ser representado por advogados da corte na primeira sessão. “Advogados não podem simplesmente vir a Freetown e se apresentar à corte”, afirmou o porta-voz Peter Andersen, acrescentando que um procedimento formal deve ser respeitado.
Distúrbios
Autoridades temem que a presença de Taylor em Freetown cause distúrbios, tanto em Serra Leoa como na vizinha Libéria, onde seus partidários ameaçaram cometer atos violentos caso ele fosse levado a julgamento.
“A situação está muito tensa”, afirmou Samuel Suluku, 29, morador de Serra Leoa, que teve muitos parentes mortos na guerra civil. “As pessoas ouvirão a transmissão do julgamento pelo rádio”.
Citando questões de segurança, a corte especial pediu à Holanda que o julgamento seja realizado no Tribunal Especial de Haia.
Crimes
O resumo das acusações da promotoria contra Taylor cita “civis mortos a tiros ou queimados em suas próprias casas, enforcados, ou assassinados enquanto tentavam fugir de ataques contra suas casas.”
Algumas vítimas possuíam as iniciais da Frente Unida Revolucionária, apoiada por Taylor, marcadas em seus corpos.
Taylor deu início a uma rebelião na Libéria para depor o então presidente Samuel Doe em 1989. A revolta se tornou uma guerra civil que durou 14 anos e matou cerca de 250 mil pessoas.
Ele foi eleito presidente da Libéria em 1997, mas partiu para um exílio na Nigéria em 2003, como parte de um acordo de paz.