Serão processados parlamentares e dirigentes que receberam recursos. Depois de quase um ano da mais abrangente e sigilosa investigação do Ministério Público, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, decidiu oferecer denúncia contra a maioria dos parlamentares e dirigentes partidários acusados de receber repasses de caixa 2 do PT por intermédio do empresário Marcos Valério.
Antônio Fernando e um grupo de três procuradores trabalham intensamente para concluir até o fim deste mês a peça de acusação que pode levar à cadeia empresários, doleiros e políticos que, até recentemente, gozavam de prestígio e influência nacional.
O escândalo do mensalão devastou o núcleo central do governo Lula, abriu uma crise sem precedentes no PT e atingiu duramente amplos setores do Congresso. Antônio Fernando tem evitado fazer comentários sobre o andamento da apuração, mas segundo um de seus interlocutores, o procurador-geral está elaborando uma denúncia de muito mais impacto que as acusações formuladas pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) no relatório final da CPI dos Correios.
O objetivo do procurador-geral é destrinchar as relações perigosas do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares com Marcos Valério e a base governista, e preparar as bases para punições exemplares dos envolvidos. Mas o procurador-geral encara o inquérito sobre o escândalo mais rumoroso do governo Lula como um desafio para provar que o Ministério Público sabe e pode investigar qualquer crime.
“Quando a denúncia for tornada pública, vai ficar claro que o Ministério Público investiga muito bem”, disse um dos auxiliares de Antônio Fernando.
Parte da denúncia terá como base as investigações da equipe de mais de 20 policiais federais coordenada pelo delegado Luiz Flávio Zampronha. Para a polícia, nas diversas ramificações do valerioduto foram encontrados indícios de caixa 2, corrupção, sonegação fiscal, crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, entre outros crimes. São informações que permitiriam a responsabilização criminal do ex-presidente do PT José Genoino, de Delúbio Soares e de Marcos Valério, além de outros políticos apontados como operadores do caixa 2 petista.
Em depoimento ao Ministério Público e à PF, Valério disse que fez empréstimos da ordem de R$ 55 milhões no Banco Rural e no BMG a pedido de Delúbio e com o conhecimento de Genoino e do ex-ministro José Dirceu.