Um juiz suíço emitiu uma ordem internacional de busca e captura contra o ex-ministro iraniano de Informação e Segurança Ali Fallahijan, a quem considera responsável pelo assassinato em 1990 do opositor iraniano Qassim Radjavi em território suíço, informou hoje o jornal Le Matin Dimanche.
O juiz Jacques Antenen realizou esse pedido ao Ministério da Justiça da Suíça em 20 de março, e enviou outro escrito ao Ministério de Assuntos Exteriores, dirigido por Micheline Calmy-Rey, no qual assinala que esse pedido pode ter conseqüências para a Suíça.
Os documentos publicados por Le Matin Dimanche incluem esse escrito, em que o juiz adverte que “não se pode excluir que minha decisão tenha conseqüências para as futuras relações exteriores da Suíça”.
Além disso, o jornal revela que antes de emitir essa ordem internacional de captura contra Fallahijan, ainda considerado um dos religiosos mais influentes em seu país, o juiz suíço viajou para Alemanha e Argentina, onde também haveria causas pendentes contra ele.
Para o juiz suíço, Fallahijan, de 57 anos, “decidiu e ordenou a execução de Qassim Radjavi”, um opositor ao regime dos aiatolás que foi assassinado em 24 de abril de 1990 perto de sua casa na localidade de Coppet.
Os assassinos de Radjavi, que foi encontrado ao volante de seu automóvel, deram-lhe nove tiros no tronco e outro na nuca.
Naquele momento, a justiça suíça deteve treze suspeitos iranianos, que tinham passaportes diplomáticos de seu país e utilizavam nomes falsos, e em 1992, a Polícia francesa deteve outros dois suspeitos do assassinato, que depois liberou apelando “razões de Estado”, lembra o jornal.
Em 1997, o juiz suíço que instruía esse caso pediu conselho ao Governo suíço e desistiu de levar Fallahijan perante a justiça porque “temia causar danos à Suíça”.
Por sua parte, Stéphane Radjavi, o filho do opositor iraniano assassinado, expressou ao jornal sua satisfação pela decisão do juiz e destacou que “Fallahijan é procurado pelas polícias de todo o mundo pelo assassinato do meu pai. Juridicamente, está reconhecido como crime de Estado”.
Radjavi, que tem nacionalidade suíça, acusou as autoridades de Teerã de se aproveitarem de “suas bases estratégicas na Europa, suas redes bancárias e suas coberturas diplomáticas para assassinar 250 opositores no exílio”.