O Tribunal Especial Iraquiano retomou nesta segunda-feira o julgamento contra o ex-ditador Saddam Hussein e sete colaboradores do seu antigo regime, acusados de envolvimento no massacre de 148 xiitas.
A sessão de hoje, presidida pelo juiz curdo Raouf Abdel Rahman, é a 23ª desde o início do processo, em outubro passado.
Durante a última sessão do julgamento –realizada em 19 de abril– o presidente do tribunal declarou que especialistas iraquianos tinham confirmado que as assinaturas de Saddam contidas em vários documentos relacionados à execução dos xiitas eram autênticas.
Na audiência de hoje, o tribunal deve continuar a analisar o relatório sobre a autenticidade da assinatura de Saddam e de alguns de seus ex-assessores nas sentenças de morte.
Saddam e sete de seus antigos colaboradores são acusados da morte de 148 iraquianos, sentenciados à pena de morte em 1983 após uma tentativa de assassinato contra o ex-ditador em Dujail, ao norte de Bagdá, em 1982.
Os réus podem ser condenados à pena de morte se forem declarados culpados.
Curdos
Saddam e seu primo Ali Hassam Al Majid, conhecido como “Ali, o Químico”, além de outros cinco ex-dirigentes iraquianos serão levados ao banco dos réus em um segundo processo por genocídio durante a operação Anfal –uma sangrenta ondas repressivas contra os curdos no antigo regime.
Entre 1987 e 1989, vários ataques foram realizados contra os curdos no norte do país — entre eles, o bombardeio com gás do vilarejo de Halabja em 1988, que deixou 5.000 mortos.
Mais de 100 mil pessoas morreram e mais de 3.000 vilarejos foram destruídos durante a operação Anfal, que provocou uma fuga em massa da população curda.