O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, do 1º Tribunal do Júri de Goiânia, confirmou para a próxima quarta-feira (dia 10), o julgamento do policial militar Vilmar da Silva. Ele é acusado de participar das sessões de tortura e do assassinato do carroceiro José Roberto Correia Leite, o Bertinho, em agosto de 1999, em Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal. O júri havia sido adiado em função do desaparecimento de provas que fazem parte do processo. Elas estavam no Depósito Judicial do Fórum de Goiânia e haviam sido utilizadas no júri de outros três policiais acusados de participar do crime – todos foram condenados.
As provas são compostas por várias pastas com documentos, uma touca preta, um álbum de fotografia, um saco plástico contendo cápsulas de munição já utilizada, uma granada, oito placas de veículos, um par de algemas, um blusão de tecido camuflado e vários negativos de filmes. Os militares estão sendo julgados em Goiânia devido ao desaforamento (transferência) do processo para a capital.
Segundo a denúncia do Ministério Público estadual, Bertinho foi preso sem autorização judicial e levado para o quartel da Polícia Militar de Novo Gama, onde foi torturado para dar informações sobre o paradeiro de um provável amigo, que era foragido da polícia. Depois, ele foi levado amordaçado para a zona rural de Alexânia, onde foi morto.
Em fevereiro de 2004 foram julgados e condenados pelo 2º Tribunal do Júri de Goiânia, pelo mesmo crime, o capitão Laércio dos Santos, o sargento Daniel da Silva Ribeiro e o cabo Cleomar Guimarães de Oliveira. Cada um foi condenado a 17 anos e 6 meses de reclusão, por homicídio qualificado, tortura e ocultação de cadáver, além de perderem o cargo na corporação militar.