Quatro médicos do Hospital das Clínicas da UFU (Universidade Federal de Uberlândia) foram denunciados pelo Ministério Público Federal por homicídio doloso (com intenção de matar).O suposto homicídio foi praticado contra um homem de 88 anos. Internado no hospital em setembro de 2004, ele morreu dois dias depois por “falta de atendimento adequado”, na avaliação da Procuradoria.
De acordo com a denúncia (acusação formal), o homem chegou ao hospital com graves problemas cardíacos, mas somente no dia seguinte teve o diagnóstico de infarto.
Comprovada a necessidade de um cateterismo de urgência, o médico de plantão foi acionado e, por telefone, disse que não poderia fazer o procedimento. Isso porque, segundo o Ministério Público Federal, ele afirmou que o aparelho estava com defeito e o quadro do paciente era instável.
A denúncia sustenta que os outros três integrantes da equipe médica acataram a decisão e “nada fizeram no sentido de transferir o paciente para outro hospital ou até de chamar outro especialista para avaliá-lo”.
O Ministério Público Federal nega que o aparelho de cateterismo estivesse estragado. Afirma ainda que o paciente estava “consciente e lúcido, verbalizando, com pressão arterial e freqüência cardíaca estabilizadas”.
Para a Procuradoria, os denunciados praticaram homicídio doloso porque decidiram não “submeter o paciente ao tratamento adequado”, mesmo com pleno conhecimento da situação de fato (evolução para infarto) e consciência do dever de agir (realização do cateterismo de urgência).
O juiz da 1ª Vara Federal de Uberlândia aceitou a denúncia e marcou o interrogatório dos acusados para o dia 10 de julho.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do Hospital das Clínicas de Uberlândia às 18h desta sexta, mas ninguém atendeu as ligações.