Um tribunal montado para julgar a manipulação de resultados de jogos na Itália vai decidir o destino de Juventus, Milan e outros clubes da primeira divisão do futebol italiano antes da final da Copa, no dia 9 de julho, disse o comissário do futebol italiano Guido Rossi nesta quinta-feira.
Os campeões italianos da Juve, que têm cinco jogadores na seleção italiana, podem ser expulsos da primeira divisão se o tribunal esportivo decidir que seus principais executivos influenciaram na escolha de árbitros em partidas decisivas.
O Milan, que também cedeu cinco jogadores para a seleção, corre o mesmo risco por causa das alegações a respeito da seleção de bandeirinhas.
Rossi, advogado que foi escolhido como comissário depois que o conselho da Federação Italiana de Futebol se demitiu por causa do escândalo, disse que o tribunal deve emitir sua decisão entre os dias 7 e 9 de julho.
Qualquer time ou indivíduo declarado culpado terá uma chance de apelar durante as audiências, que devem ser concluídas até 20 de julho, disse Rossi, que deu tempo para a federação de futebol entregar à Uefa a lista dos times que disputam os torneios europeus na próxima temporada.
“Não haverá atrasos no início do campeonato italiano”, disse Rossi em uma coletiva de imprensa. A temporada 2006-2007 começa no dia 28 de agosto.
Rossi também anunciou nesta quinta-feira que substituiu o presidente do tribunal que vai ouvir o caso, já que seu ex-presidente foi mencionado em uma lista de pessoas investigadas pelos promotores de Nápoles que trabalham no caso.
Além da Juve e do Milan, outros grandes clubes que têm jogadores na Copa estão implicados, como Lazio e Fiorentina.
O entusiasmo dos italianos, que normalmente são fanáticos por futebol, foi prejudicado pelo escândalo. Mas os ânimos se reergueram com a vitória da seleção por 2 x 0 contra Gana, o que lhes garante uma vaga na segunda fase se ganharem dos EUA no sábado.
Maurizio Paniz, membro do parlamento do partido Forza Italia, do ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi, sugeriu que todos os envolvidos deveriam ser anistiados caso a Itália vença a Copa, que conquistou pela última vez em 1982, sugestão rejeitada por Rossi e pela Ministra dos Esportes, Giovanna Melandri. “Isso é um absurdo”, disse Melandri. “O problema deve ser encarado, seja qual for o resultado da seleção na Copa do Mundo.”
Francesco Borrelli, o investigador-chefe de Rossi, disse que vai finalizar seu relatório depois de uma entrevista na sexta-feira com Riccardo Garrone, o presidente do Sampdoria, outro clube implicado no escândalo.
Borrelli vai apresentar suas descobertas para o promotor da federação, que decide na próxima quarta-feira quais pessoas ou times devem ser convocados ao tribunal.