O assédio moral no trabalho, situação em que o funcionário é exposto repetidas vezes e durante um longo período de tempo a humilhações e constrangimentos por um superior, ou mesmo por um colega de trabalho, tem maior incidência entre bancários, trabalhadores do setor gráfico, servidores públicos e professores. Também há uma tendência maior de ocorrência de assédio contra trabalhadores com posições políticas diferentes daquelas da empresa, membros de movimentos sindicais, homossexuais e outras minorias.
Os dados são do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB). As informações relativas às categorias profissionais onde há mais denúncias de assédio moral foram levantadas por alunos de graduação da UnB. Já as que dizem respeito à maior perseguição de trabalhadores pertencentes a minorias, ou ligados a movimentos políticos e sindicais, fazem parte de pesquisa feita por João Batista Ferreira, mestrando do Departamento de Psicologia do Trabalho da universidade.
“No caso das categorias profissionais que sofrem mais assédio foram enviados questionários para os sindicatos, e esses foram os que responderam afirmando receber denúncias”, explica a psicóloga Ana Magnólia Mendes, professora do núcleo de Psicologia Social e do Trabalho da UnB.
Segundo ela, algumas características próprias das classes profissionais citadas podem ser a razão de elas terem uma maior incidência de assédio. “No caso de professores e bancários, por exemplo, o ambiente de trabalho é de tensão, competitividade, rotina acelerada. Já no serviço público, acredito que tenha a ver com a questão do poder político, cargos comissionados, normas confusas”, diz a professora.
Quanto aos dados que apontam maior perseguição de funcionários pertencentes a minorias, como os homossexuais, ou engajados politica e sindicalmente, Ana Magnólia acredita que os motivos sejam óbvios. “É comum as empresas perseguirem os profissionais mais combativos. Já no caso de homossexuais e outras minorias, é comum o assédio moral vir conjugado com a discriminação”, afirma a pesquisadora da Universidade de Brasília.
Saúde pode ser afetada
De acordo com a psicóloga e professora da UnB Ana Magnólia Mendes, as humilhações em local de trabalho podem comprometer seriamente a saúde dos funcionários. “É o caso de as próprias empresas repensarem sua postura em relação ao assédio moral. Muitas delas se omitem, ou até estimulam os chefes de departamento e gerente a ‘apertarem’ os funcionários, achando que isso vai gerar mais produtividade, mas o que ocorre é justamente o oposto. O assediado moralmente não tem mais ânimo para trabalhar”, alerta Ana Magnólia.
A bancária L., 53 anos, que não quis se identificar nem dizer o nome da empresa onde sofreu assédio moral, conhece bem todas as sensações descritas pela professora. Ela ainda trabalha na instituição onde sofreu a violência moral, mas em um novo departamento. L. procurou a ajuda de uma psicóloga e da ouvidoria da empresa, que, segundo ela, investiga o superior envolvido no assédio. “Durante vários meses, realizei as atividades relativas ao meu cargo e aos cargos de mais dois outros funcionários. Eu levava trabalho para fazer em casa à noite, nos finais de semana. Comecei a ficar insegura, a duvidar da minha competência. Uma vez precisei de orientações sobre um relatório que me pediram para fazer, e meu superior mandou que eu me virasse”, conta a bancária.
O assédio moral pode ser caracterizado por proibição de que os colegas se aproximem do assediado; pelo ato de dar cada vez menos tarefas ao funcionário perseguido, para caracterizá-lo como incompetente; pelas humilhações constantes em público e outros fatores. Neste ano, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) recebeu duas denúncias de assédio moral. Em 2005, foram 53 e, em 2004, 25.
Serviço
Denúncias de assédio moral devem ser encaminhadas para o sindicato da categoria ou ao Núcleo de Discriminação da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), na 509 Norte