O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci – candidato a deputado federal pelo PT – será denunciado à Justiça por sete crimes: formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, peculato, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo funcional e prevaricação.
As denúncias, da Polícia Federal e da Polícia Civil, referem-se ao envolvimento de Palocci na quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa e nas fraudes nos contratos de lixo em suas duas administrações na prefeitura de Ribeirão Preto (1993-1996 e 2001-2002).
Um dos homens fortes do governo Lula, Palocci sobreviveu às acusações de integrar a máfia que fraudava contratos de lixo e de ter ligação com o caixa 2 do PT. Ele só saiu do governo quando foi desmentido pelo caseiro que trabalhava na mansão onde ele se reunia com os amigos da chamada República de Ribeirão.
A mansão de Brasília era usada para fazer lobbys. Palocci jurava jamais ter ido até a casa e desconhecer totalmente o que se passava dentro dela. O caseiro, no entanto, disse o contrário, que ele freqüentava o lugar e lá era chamado de “chefe”.
A partir daí, criou-se uma operação irregular de quebra dos sigilos do caseiro, que, segundo a PF, envolveu Palocci e a alta cúpula da Caixa Econômica Federal, para tentar desqualificar o depoimento de Francenildo. A farsa, porém, foi descoberta e custou a cabeça de Palocci. Ele deixou o governo em 27 de março.
O processo contra Palocci no caso de Ribeirão Preto é um documento com 15.000 páginas e detalha todo o esquema de corrupção no sistema de coleta de lixo e limpeza pública durante sua gestão e a de seu sucessor, Gilberto Maggione.