O juiz Luiz Noronha Dantas, do 2º Tribunal do Júri da Capital, recebeu denúncia do Ministério Público contra Raquel Avelino Lopes e Vanessa Martins Tavares, pela morte de Luiz Cláudio Lopes, marido da primeira acusada. Ela, em 2005, teria golpeado a vítima com uma pá, após uma briga conjugal, ocasionando a sua morte, e serrado o cadáver, com a ajuda de uma amiga, a fim de jogar partes dele em rio localizado na Tijuca – Zona Norte do Rio.
Segundo o MP, em 8 de dezembro de 2005, por volta das 23 horas, na residência situada em Honório Gurgel, Raquel Avelino Lopes, consciente e voluntariamente, e com vontade de matar, golpeou com uma pá a cabeça da vítima, seu marido, provocando a sua morte. O crime, de acordo com a denúncia, teve motivação fútil e foi por causa de desentendimentos rotineiros acerca de conflitos conjugais.
Ainda segundo o Ministério Público, em 10 de novembro daquele ano, por volta das 23 horas, no mesmo local, Raquel e Vanessa ocultaram o cadáver de Luiz Cláudio, que foi destruído em partes e colocado em sacos plásticos, a fim de serem despejados em um rio, na Rua Uruguai, próximo ao número 191. A primeira acusada está incursa no artigo 121, parágrafo 2º, inciso II, (homicídio qualificado por motivo fútil) c/c artigo 61, inciso II, alínea “e” (crime contra o cônjuge), e artigo 211 (ocultação e destruição de cadáver), na forma do artigo 69 (prática de dois ou mais crimes), todos do Código Penal. Vanessa, a segunda ré, responderá pelo artigo 211 (destruição, subtração ou ocultação de cadáver), do CP.
Em seu depoimento, Raquel Avelino Lopes, 30 anos, disse ter se casado com a vítima em julho de 2000. Ela falou que a vítima fazia uso de entorpecentes, sendo que tal consumo não era em sua frente. E, quando fazia uso dessas substâncias, ficava mais agressivo. Que a partir de 2000, passou a ser agredida por ele, com palavras e também fisicamente, tendo, inclusive sofrido ameaças de morte. Que no dia do crime, o marido chegou em casa visivelmente drogado e quis manter relações sexuais com ela, o que não foi aceito.
Diante da recusa, ele teria apanhado arma de fogo que possuía e vindo em sua direção e que ela, por medo, “passou a mão na primeira coisa que viu”, no caso uma pá, que ficava na parte externa da casa, desferindo um único golpe contra a sua cabeça. Depois, seguiu para o banheiro, ficando ali trancada por 24 minutos. Após, puxou o cadáver da vítima para fora da cozinha e ali jogou querosene sobre o corpo, colocando fogo no mesmo e jogando água em seguida, por não achar “ser correto”.
Telefonou, então, para sua amiga Vanessa, a quem pediu ajuda, sendo a primeira idéia dela chamar a polícia, o que foi logo descartado por Raquel, que argumentou sobre a questão dos amigos da vítima – pessoas ligadas ao tráfico de drogas – que teriam os endereços residenciais de seus familiares. Daí veio a idéia de cortar o corpo, que partiu de Vanessa. Elas tentaram comprar uma mala para colocar a vítima. Seguiram depois para o Norte Shopping mas não conseguiram sacar o dinheiro da conta poupança da vítima no caixa eletrônico, resolvendo, então, comprar uma serra com os únicos 60 reais que a primeira acusada possuia Após cortar o corpo em partes, elas o ensacaram e colocaram em duas bolsas de viagem, que foram transportadas num carrinho, para serem jogadas num rio da Tijuca.