O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein pediu nesta segunda-feira (16) a continuação da “resistência iraquiana” e justiça “na Jihad” (guerra santa) contra o ocupante”, numa carta aberta aos iraquianos escrita na prisão e que teve uma cópia entregue à agência France Presse.
Na carta escrita por ocasião do Ramadã, transmitida por seu advogado Jalil Dulaimi, Saddam diz que “a vitória contra o ocupante é segura” e que o Iraque “voltará a ser unido e indivisível”.
“Nosso povo passa por momentos difíceis com a ocupação, as matanças, as destruições e o saque de tudo o que tem valor, com exceção do que diz respeito à fé (dos iraquianos), suas convicções, sua moral e seu orgulho”, diz Saddam.
“A resistência contra o ocupante é um direito e um dever”, acrescenta Saddam, que pede à resistencia “ser justa e equitativa em sua Jihad”.
“Peço que sejam magnânimos”, diz.
Também pede ao povo iraquiano “que perdoem os responsáveis pela morte de seus filhos e irmãos”, referindo-se a Uday e Qusay, mortos em Mossul em 2003 pelo exército americano ajudado por informantes.
Para Saddam, a “vitória contra o ocupante maléfico e seus lacaios” não está em dúvida.
A carta de Saddam coincide com a reunião desta segunda-feira (16) do Alto Tribunal Penal Iraquiano, que deverá anunciar a data do veredito do processo do ex-ditador e sete outros acusados da morte, nos anos 80, de 148 xiitas do povoado de Dujail (60 km ao norte de Bagdá).