A Justiça Eleitoral retoma esta semana o processo que analisa a representação da coligação PSDB-PFL que pede investigação contra o presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva pelo suposto envolvimento na compra de um dossiê contra candidatos tucanos.
O corregedor-geral, ministro Cesar Asfor Rocha, informou no domingo que deve ouvir cerca de 20 testemunhas antes de decidir sobre o caso. No limite, a Justiça Eleitoral pode impugnar a candidatura de Lula.
Lula e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, já encaminharam suas defesas por escrito, e não terão de prestar depoimento, informou o corregedor-geral.
“Estamos recebendo informações da Polícia Federal paulatinamente… Devemos receber esta semana outras informações da PF”, afirmou Asfor Rocha a jornalistas.
Ele desvinculou o término da análise da Justiça Federal à investigação do dossiê contra tucanos que está sendo conduzida pela PF, apesar de reconhecer que as informações passadas pela polícia são importantes para a apreciação do caso pela Justiça Eleitoral.
“Não há um prazo específico (para a decisão da Justiça Eleitoral)”, comentou. Questionado se a decisão pode sair antes da posse do presidente eleito, em 1o de janeiro de 2007, o corregedor-geral respondeu que “pode, eventualmente, ser”.
“O valor perseguido da Justiça é diferente da campanha eleitoral. Aqui o que se persegue leva em conta o princípio da legalidade”, disse. “O juiz não pode deixar se influenciar por um resultado (nas urnas) que pode ser negativo para algumas pessoas nem pelo resultado que pode ser positivo para essas mesmas pessoas”, enfatizou.
Em meados de setembro, os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Pereira Passos foram presos em um hotel em São Paulo com o equivalente a cerca de 1,7 milhão de reais. A cifra seria usada para comprar material contra candidatos do PSDB.