A Polícia Civil do Amazonas prendeu ontem o pistoleiro conhecido como Carioca, que teria sido o primeiro contratado para matar o procurador Mauro Campbell. Carioca teria, supostamente, recebido R$ 20 mil do procurador-geral licenciado do estado, Vicente Cruz, para matar Campbell, mas teria fugido com o dinheiro, o que teria obrigado a contratação de um segundo bandido. Frank, o segundo suposto assassino profissional contratado, está desde a semana passada no programa de proteção de testemunhas da Secretaria de Segurança Pública do Estado, como principal testemunha do caso.
Carioca tinha um extrato bancário com um depósito, em dinheiro, de R$ 21 mil em novembro. Outros dois homens identificados como Reiner e Caneco, também foram presos e são ouvidos por policiais. Na manhã de ontem, Cruz, que foi preso na segunda-feira e solto anteontem, se disse “vítima de uma armação” de Campbell para incriminá-lo. “Esse suposto crime que me acusam, de encomendar a morte de alguém, nem é crime. Prenderam-me sem razão porque, se fosse verdade, não há no Código Penal nada que fale sobre um crime de encomendar a morte”, afirmou.
Cruz disse que processará quem o acusa e diz que é “o preferido” dos procuradores na eleição para procurador-geral do Estado, em 15 de fevereiro, que, por isso, seria o alvo de “mentiras contra ele” e que processará o secretário de Segurança Pública, Francisco Sá Cavalcanti. “A investigação continua e a Justiça vai levantar a verdade”, afirmou Cavalcanti.
Investigações
Uma comissão foi formada pelo Ministério Público Estadual (MPE) investigará a suposta trama para matar Campbell. Dois membros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) chegam a Manaus na próxima segunda-feira para acompanhar as investigações. Paralelamente, a Secretaria de Segurança ainda busca o foragido Élson Moraes, que seria o suposto intermediário de Cruz para contratar os pistoleiros.
Segundo Cruz, ele “sequer tem dinheiro para comprar um carro para a esposa” e jamais teria R$ 20 mil para dar a um criminoso. Cruz, que ganha R$ 22 mil mensais como procurador, ficou irritado ao ser perguntado se o seu salário não dava para comprar um carro. Disse que nem ele tem carro, apenas o filho dele. “Vocês não sabem que quanto mais a gente ganha mais o padrão de vida aumenta?”, questionou.
Em outros momentos, Vicente Cruz ficou enfurecido com os jornalistas, que insistiam em saber sobre a suposta construção de uma laje na Igreja Cristo Redentor, num bairro da periferia da capital amazonense, o Alvorada. Segundo o padre Jairo Campos, pároco da igreja citada por Cruz, o procurador-geral licenciado doou R$ 5 mil à paróquia em dezembro do ano passado, mas não sabia de nenhuma encomenda de laje.