SÃO PAULO – O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, anunciou que ainda ontem o departamento jurídico da entidade deveria ingressar na Justiça com pedidos de reintegração de posse para as 12 fazendas invadidas neste Carnaval pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), associado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) nas ocupações.
Segundo Nabhan Garcia, a CUT também será responsabilizada na Justiça pelas invasões para que pague os danos às fazendas invadidas, já que a central é uma entidade com endereço conhecido e legalmente constituída, ao contrário dos militantes do MST, que não é uma entidade constituída legalmente.
O presidente da UDR espera que a Justiça conceda as reintegrações o mais rápido possível, para que os sem-terras deixem as fazendas ocupadas. ‘A estratégia da CUT e do MST foi invadir fazendas num momento em que os fazendeiros foram viajar por causa do carnaval e muitos ainda nem sabem das invasões. Os sem-terra dizem que as ocupações são pacíficas, mas não há violência maior do que alguém invadir sua propriedade, tomar sua casa, e todos ficarem impunes. O MST faz terrorismo com os proprietários na região‘, disse.
Já o líder das ocupações, José Rainha Junior, anunciou ontem que mais uma fazenda foi ocupada na região de Andradina e outras poderão ser ocupadas até o final de semana na região do Pontal e Araçatuba. ‘Estamos ocupando hoje (ontem) 13 fazendas e poderemos chegar a 20 até o final de semana‘, disse Rainha. Ontem à tarde, os líderes das ocupações se reuniram no Pontal para decidir os próximos passos da estratégia do movimento, que visa pressionar o governo estadual e federal a agilizar o processo de reforma agrária no Pontal e no país.
‘Vamos pedir uma audiência ao governador José Serra. Ele já está no cargo há dois meses e até agora não abriu diálogo com os sem-terra. Na campanha, prometeu que agilizaria a reforma agrária no Pontal. Demos um voto de confiança a ele, mas agora está na hora da gente sentar e conversar. No governo Alckmin, o Incra destinou R$ 28 milhões para a reforma agrária em São Paulo e o governo estadual só gastou R$ 12 milhões. As fazendas que ocupamos são improdutivas e os seus proprietários já se mostraram interessados em negociá-las para a reforma agrária, mas os governos não se mexem. Nosso objetivo é fazer a reforma agrária andar‘, disse Rainha.
Ontem, a Brigada Militar (a polícia militar gaúcha) reforçou a vigilância contra ações do MST na Fazenda Coqueiros, em Coqueiros do Sul, noroeste do Rio Grande do Sul. O MST tem 250 famílias postadas em torno da fazenda e estaria querendo elevar esse número para 400 famílias.