O juiz da Vara da Infância e Juventude de Ibiúna (a 64 km de São Paulo), Wendel Lopes Barbosa de Souza, negou o pedido de liberdade provisória interposto pelo advogado do idoso de 64 anos que mantinha o neto de 2 anos amarrado com três cães, um deles da raça pit bull, numa espécie de canil nos fundos da casa em que moravam.
O avô está preso desde a última quinta-feira (22). Após o flagrante naquela manhã, ele ficou detido no 1º Distrito Policial da cidade e, no final da tarde da sexta-feira, ele foi encaminhado para a cadeia de Pilar do Sul, a 142 km da capital paulista.
De acordo com o delegado José Arruda Madureira Júnior, que apura o caso, após ser detido, o avô disse que mantinha a criança presa para que ela não estragasse o jardim da casa e que os cães eram mansos. Posteriormente, o avô falou que mantinha o neto preso para que não fugisse enquanto ele trabalhava.
Esta semana, a polícia irá ouvir o depoimento da avó da criança, que também vivia na casa, mas não estava lá no momento do flagrante. Segundo a mãe do menino, a idosa é doente e quem cuidava mesmo da criança era o avô.
O menino está desde o final da tarde da quinta-feira na “Casa da Criança”, um abrigo para menores da cidade e espera o processo que decidirá a sua guarda. A Justiça vai resolver se a mãe tem condições de ficar com a criança. Caso não tenha, ele poderá ser criado por outra pessoa. O tio paterno do menino já manifestou o desejo de ficar com ele, mas até a última sexta-feira não havia ido até o Conselho Tutelar da cidade para oficializar o pedido.
Preso junto aos cães
A Guarda Municipal chegou às 10h30 da manhã de quinta (22) na casa onde a criança era mantida presa por causa de uma denúncia anônima. O idoso mantinha seu neto de dois anos amarrado na altura do pescoço com uma corda de um metro e meio. A criança ficava junto a três cachorros, um deles da raça pit bull, numa espécie de canil nos fundos da casa.
O menino estava preso havia cerca de um mês. Segundo o avô, a última refeição do garoto foi uma mamadeira de leite às 17h da quarta-feira (21).
A criança foi deixada com o avô pela mãe. Segundo depoimentos, o pai do menino morreu em um tiroteio e a mãe havia começado a namorar com outro homem e fugiu. Em depoimento na delegacia, a mãe da criança, de 20 anos, disse que havia deixado a criança com o pai dela porque ele teria mais tempo e que não sabia que o menino era mantido amarrado.