O comerciante Djair Nóbrega Filho, 38 anos, foi condenado por unanimidade na noite desexta-feira (30) a cumprir 15 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato do estudante Gabriel Castelo Branco Guedes, de 23 anos, em 21 de janeiro de 2005. Gabriel era filho do professor e técnico de basquetebol, Antônio Carlos Rodrigues dos Santos, o popular Totonho. A família da vítima, tendo a frente a sua mãe, Else Castelo Branco, após a morte do filho, iniciou um movimento pela busca de justiça, que culminou, agora, com a condenação do réu, autor dos disparos em Gabriel, quando este estava desarmado e não concorreu para o ato tresloucado do assassino.
O julgamento ocorreu no prédio do antigo Fórum Cível, no Centro da Capital (João Pessoa), que passou praticamente todo o dia com lotação esgotada, principalmente por conta da presença de familiares e amigos de Gabriel, além de estudantes de Direito e curiosos.
A decisão do 2º Tribunal do Júri, por 7 a 0, ainda assim não será aplicada de imediato. O réu continuará solto até o processo transitar em julgado, ou seja, não houver mais qualquer possibilidade de recurso.
O advogado de defesa, Abraão Beltrão alegou a tese da legítima defesa. Ao ser interrogado pelo juiz José Aurélio, Djair Nóbrega Filho afirmou que atirou sem intenção de matar contra um grupo de rapazes que teria tentado espancá-lo.
O julgamento, que começou às 9h30, terminou por volta das 21h40, com a leitura da sentença de condenação por homicídio qualificado, conforme defenderam o promotor Aldenor Medeiros e o advogado Genival Veloso Filho.
Durante o julgamento, o juiz José Aurélio determinou a prisão, por afirmações falsas, de Tadeu Luís Mendonça, testemunha que não compareceu alegando estar sendo ameaçada de morte através de carta anônima.
Tadeu encontra-se detido provisoriamente na 2ª Delegacia Distrital de João Pessoa e pode ser condenado a até 3 anos de reclusão.
O crime
Djair Filho matou Gabriel Castelo Branco no dia 21 de janeiro de 2005, durante uma festa na casa de um amigo de Gabriel, no bairro de Manaíra.
Segundo testemunhas, durante a festa Djair Filho teria se desentendido com o ex-marido de sua namorada, que também estava presente.
As testemunhas ainda afirmam que no transcorrer da festa Djair teria tentado agredir o ex-marido da namorada e que por isso teria sido posto para fora da casa.
O assassino voltaria cerca de 40 minutos, dessa vez armado. Ao sair do carro em que se encontrava, Djair teria se deparado com Gabriel que tentou convencê-lo a não cometer qualquer agressão nem atirar em ninguém.
O comerciante não atendeu aos apelos de Gabriel e ainda disparou dois tiros contra o rapaz que tentava acalmá-lo. A vítima teve morte imediata.
Djair fugiu e tentou se esconder na casa dos pais, mas foi preso logo em seguida, sendo liberado dias depois para responder ao processo em liberdade.
Familiares e amigos de Gabriel Castelo Branco desenvolveram nos últimos seis meses intensa campanha pedindo justiça, através de faixas espalhadas em diversas ruas da Capital.