A 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande recebeu, há pouco, um fax em que a defesa de Luiz Fernando Costa, o Fernandinho Beira-Mar, pede novo prazo para que sejam relacionadas as testemunhas de defesa no processo que corre contra ele em Mato Grosso do Sul, por lavagem de dinheiro. O prazo anterior venceria hoje, às 18h. No fax, o advogado de Beira-Mar, Edir Nascimento, do Rio de Janeiro, solicitou, ainda, que a acusação contra ele seja desmembrada da ação, que tem outros 22 réus.
O motivo para o desmembramento seria o interesse de Beira-Mar de participar em todas as audiências que se refiram a processos contra ele. No documento enviado por fax, os advogados defendem que a acusação contra o cliente deve correr em separado como medida de segurança, até que o Estado tenha condições de garantir a presença dele nas audiências durante o andamento do processo.
O direito foi conseguido no STF (Supremo Tribunal Federal), que atendeu ao pedido da defesa do traficante para que ele participe de qualquer audiência em processos em que é citado. Ele já viajou, por conta do tesouro nacional, para o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, em aviões da Força Aérea Brasileira.
O juiz Odilon de Oliveira já havia manifestado preocupação com a segurança de Beira-Mar, caso ele confirmasse a intenção de participar da audiência para ouvir as testemunhas de acusação, cerca de 50, prevista para acontecer ainda este mês. A maioria das testemunhas vive em Coronel Sapucaria, na fronteira com Capitan Bado, no Paraguai, cidade apontada como base do grupo criminoso chefiado por Beira-Mar, onde ele teria muitos inimigos.
O magistrado manifestou, no processo, a intenção de fazer a audiência de acusação em Dourados ou Amambai, cidades vizinhas a Coronel Sapucaia.
Culpa é dos controladores Ao fazer o pedido de mais prazo para relacionar as testemunhas, o advogado de Luiz Fernando da Costa justificou que ainda não conseguiu arrolar as testemunhas por falta de contato com o cliente. E apontou a greve dos controladores de vôo, no fim do mês passado, como motivo para que os representantes legais não tenham conseguido conversar com Beira-Mar, que está na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Catanduvas (PR).
Além de tentar que Beira-Mar passe a ter um processo exclusivo no caso, a defesa dele também tenta transferir a ação para o Rio de Janeiro. A alegação é de que lá já, na Justiça Federal daquele estado, um processo semelhante, tendo como principal prova a mesma peça da ação de Mato Grosso do Sul: uma agenda contendo nomes e informações de contados dele na fronteira. Esse pedido está com o juiz para análise, assim como o encaminhamento feito hoje.