A Polícia Federal de São Paulo cumpriu, na manhã de ontem, mandado de busca e apreensão no gabinete do desembargador sul-mato-grossense Nery Costa Júnior, do Tribunal Regional da Terceira Região (TRF-3). A ação faz parte das investigações da Operação Têmis, por intermédio da qual a PF apura a venda de sentenças do Judiciário que supostamente beneficiaram a máfia do jogo. Além do escritório de Nery Costa Júnior, a Federal paulista fez busca e apreensão nos gabinetes dos desembargadores Roberto Haddad e Alda Bastos, no mesmo tribunal.
Segundo a assessoria de comunicação da PF, memórias de computadores (HD) e documentos foram levados do local. Também pelas informações da polícia de São Paulo, o magistrado não foi levado à sede da Federal para prestar depoimento. Apesar de a PF ter pedido a prisão de cerca de 40 pessoas acusadas de envolvimento com a suposta organização criminosa, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de prisão temporária porque envolve desembargadores. O relator do caso é o ministro Felix Fisher.
Foram 70 mandados de busca e apreensão nos escritórios e casas de magistrados, advogados e empresários acusados de integrarem uma suposta quadrilha especializada na venda de sentenças judiciais para beneficiar a máfia de jogos.
Corregedoria
Enquanto a Polícia Federal paulista cumpria os mandados de busca e apreensão, da Operação Têmis, nos gabinetes de desembargadores, juízes e um procurador da Fazenda Nacional, na capital paulista, a atual corregedora do TRF-3 e futura presidente do tribunal, desembargadora Marli Marques Ferreira, estava em Campo Grande. Ela declarou ontem, em visita a Mato Grosso do Sul, que não estava sabendo sobre a operação da PF nos gabinetes dos seus colegas, em São Paulo. Marli Ferreira disse que, inclusive, ficou surpresa com as informações que recebeu pela própria imprensa local.
“Fico até numa situação constrangedora porque não estava sabendo de nada. Vim para Mato Grosso do Sul para visitar e convidar as autoridades para a solenidade da minha posse na presidência do tribunal que abriga também a comarca deste Estado”, explicou.
Segundo a desembargadora, caso as acusações contra os desembargadores e juízes se confirmem, a sanção cabível no processo disciplinar é a aposentadoria compulsória. “Mas em relação aos desembargadores, somente o STJ tem competência para agir”, declarou.
Em companhia da corregedora Marli Ferreira, o desembargador Paulo Alves Cotrin – também de Mato Grosso do Sul – disse que conhece bem Nery Costa Júnior, mas que nunca percebeu indícios de que o colega participasse de qualquer esquema da máfia da jogatina.
Porém, ele também ressaltou que a Polícia Federal sabe mais coisas do que os “reles mortais”. “Quando a Polícia Federal começa a investigar, tudo pode acontecer”, frisou.