Os acusados de ligação com a organização criminosa que atuava na venda de sentenças judiciais para beneficiar a máfia do jogo já chegaram ao Rio de Janeiro. Dezessete deles estavam presos desde o dia 13 na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Três deles depõem hoje para juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio: Ailton Guimarães Jorge (Capitão Guimarães), Aniz Abraão David, Antonio Petrus Kalil (Turcão).
Enquanto durarem os depoimentos, os presos ficarão em instalações militares no Rio de Janeiro, sob custódia da Polícia Federal. Depois da conclusão dos depoimentos, eles devem ser transferidos para o presídio federal de segurança máxima de Campo Grande (MS).
Amanhã, serão ouvidos José Renato Granado Ferreira, Paulo Roberto Ferreira Lino e Júlio César Guimarães Sobreira.
Na segunda-feira, serão ouvidos Belmiro Martins Ferreira, Licínio Soares Bastos e Laurentino Freire dos Santos.
Após o feriado, na quarta-feira (2 de maio), serão interrogados José Luiz da Costa Rebello, Ana Cláudia Rodrigues do Espírito Santo e Jaime Garcia Dias.
No dia seguinte (3 de maio), a Justiça irá ouvir Evandro da Fonseca, Silvério Nery Cabral Jr. e Sérgio Luzio Marques de Araújo.
No dia 4 de maio serão interrogados Virgílio de Oliveira Medina, Luiz Paulo Dias de Mattos e Nagib Teixeira Sauid.
Os dois últimos interrogados –João Oliveira de Farias e Marcelo Kalil Petrus– serão ouvidos no dia 7 de maio, com audiência marcada para as 11h.
Entrega
Ontem, Nagib Teixeira Sauid e João Oliveira de Farias, que estavam foragidos, se apresentaram para a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal. Eles foram denunciados no inquérito que apura a máfia dos jogos.
Depois de se apresentarem para a juíza, apenas um dos denunciados que tiveram a prisão preventiva decretada continua foragido: Marcelo Kalil, filho do bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão.
Reportagem da Folha informa que Sauid e Farias tentaram sacar R$ 1,75 milhão após a PF ter intensificado as investigações sobre o caso.
Segundo a PF, Nagib é sócio de Júlio Guimarães Sobreira, sobrinho do bicheiro Capitão Guimarães. No caso de Farias, a PF apenas informa que ele é ligado a Guimarães.
O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) já havia identificado tentativas de saque de pessoas ligadas à quadrilha no valor de R$ 3,7 milhões, mas sem dar detalhes.
Quatro dos acusados poderão prestar depoimento por escrito porque são funcionários públicos: Carlos Pereira da Silva (delegado federal), Susie Pinheiros Dias de Mattos (da Agência Nacional do Petróleo), Marcos Antônio dos Santos Bretas (policial civil) e Francisco Martins da Silva (agente da PF no Rio).
Transferência
A megaoperação da Polícia Federal atingiu magistrados, bicheiros, policiais, empresários, advogados e organizadores do Carnaval do Rio. Eles são acusados de praticar os crimes de tráfico de influência, corrupção passiva e ativa, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Dos 25 presos inicialmente, quatro (com foro privilegiado) foram soltos no final de semana: ex-vice-presidente do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região, desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim; o desembargador federal José Ricardo de Siqueira Regueira, também do TRF da 2ª Região; o juiz Ernesto da Luz Pinto Dória, do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, e o procurador regional da República do Rio João Sérgio Leal Pereira.
Os 21 restantes tiveram a prisão preventiva decretada. Entre eles está um grupo de suspeitos ligados à cúpula do Carnaval do Rio: o presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), Ailton Guimarães Jorge, chamado de capitão Guimarães; um sobrinho dele, identificado como Júlio Guimarães; o presidente do conselho da Liesa e presidente de honra da Beija-Flor de Nilópolis, Aniz Abraão David; além do bicheiro Antonio Petrus Kalil, o Turcão, de Niterói.
Mais tarde, a Justiça decretou a prisão de mais três, elevando para 24 o número de denunciados no inquérito que tramita na 6ª Vara Criminal do Rio. Os quatro acusados com foro privilegiado terão de apresentar defesa ao STF (Supremo Tribunal Federal).