seu conteúdo no nosso portal

Em causa própria: Deputados unidos aumentam salários

Em causa própria: Deputados unidos aumentam salários

Numa sessão definida pelo deputado Ivan Valente (PSol-SP) como 'um dos piores dias do Congresso Nacional', os deputados aprovaram ontem, exatamente às 21h47, o projeto de decreto legislativo pelo qual aumentaram os próprios salários e o dos senadores em 28,5%. Hoje, os congressistas recebem R$ 12.847,20 por mês. Passarão a R$ 16.512,09, quantia equivalente a 43 salários mínimos.

Numa sessão definida pelo deputado Ivan Valente (PSol-SP) como “um dos piores dias do Congresso Nacional”, os deputados aprovaram ontem, exatamente às 21h47, o projeto de decreto legislativo pelo qual aumentaram os próprios salários e o dos senadores em 28,5%. Hoje, os congressistas recebem R$ 12.847,20 por mês. Passarão a R$ 16.512,09, quantia equivalente a 43 salários mínimos.

Na mesma levada, a Câmara também concedeu aumento salarial ao presidente da República e a seus ministros. Os vencimentos deles vão subir no mesmo percentual aplicado aos subsídios parlamentares e chegarão respectivamente a R$ 11.420,21 e a R$ 10.748,43. Os aumentos ainda precisam passar pelo crivo do Senado. O presidente daquela Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), já avisou que a intenção é aprová-los tal qual estão. Em todos os casos, os pagamentos serão retroativos a 1º de abril.

Na justificativa dos reajustes, a Mesa Diretora da Câmara informou que o percentual escolhido reflete a inflação entre dezembro de 2002 e março de 2007 medida pelo IPCA, índice de preços apurado pelo IBGE. Há aí um problema. O último aumento dos subsídios ocorreu em fevereiro de 2003. Portanto, em tese, a variação dos preços de dezembro de 2002 e de janeiro de 2003 já estava embutida no antigo salário. Pagas novamente, corresponderiam a um pequeno ganho real de 4,3%, a despeito de a cúpula da Casa ter passado o dia alardeando que faria apenas a devida correção monetária dos contracheques de suas excelências.

A sessão em que o aumento dos deputados finalmente foi votado, depois de semanas de críticas e debates, esteve tensa desde o início. O PSol e o Democratas anunciaram no início da tarde que votariam contra o reajuste. O deputado Ciro Gomes (PSB-CE), então, pediu a palavra e deu o tom do que viria depois. “Se o PSol entende que é indecente, que denuncie a indecência”, espetou, respondendo a uma fala do deputado Chico Alencar (PSol-RJ). “Nós temos a oportunidade de dizer que é decente. Tudo o mais são gestos teatrais”, classificou Ciro, sob aplausos do chamado baixo clero — grupo daqueles que não têm postos de comando na Câmara ou nos partidos e que clama pela medida há meses.

Urgência

Embora os favoráveis ao reajuste fossem amplamente majoritários, os partidos passaram o dia se estranhando no plenário. Em primeiro lugar, os líderes das bancadas assinaram um requerimento de urgência, necessário para passar o projeto de decreto legislativo à frente da fila de votações. O tucano Antonio Carlos Pannunzio (SP), entretanto, avisou que não participara de nenhum acordo nesse sentido. O goiano Ronaldo Caiado (DEM) repetiu. Os dois orientaram seus liderados a votarem contra o requerimento.

Irritado com o que julgou ser jogo de cena da oposição, o líder do PT, Luiz Sérgio (RJ), tomou o microfone e avisou que sua bancada também votaria contra. Dessa forma, PSDB, DEM e PT seriam vencidos, mas deixariam registrada no painel eletrônico o voto contrário à medida. Ou seja, jogariam o custo político todo no colo dos demais partidos. Foram necessários vários minutos de negociação para que os três abandonassem a postura. Quando o requerimento finalmente foi a voto, recebeu apenas 85 contrários e, aprovado por larga margem, abriu espaço para que o aumento propriamente dito fosse votado dali a algumas horas.

No meio da tarde, Chinaglia avisou que fora convidado para receber, em São Paulo, o papa Bento XVI junto com Renan e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Disse querer estar presidindo os trabalhos quando chegasse a hora e que tentaria voltar a Brasília a tempo. Só retornou perto das 20h e aí sim, os dois projetos começaram a andar. A idéia, por fim realizada, era aprová-los o mais tarde possível para que a notícia ficasse diluída a partir de hoje, em meio à cobertura da visita do papa ao país. A votação foi simbólica.

Quando Chinaglia pronunciou o tradicional “aqueles que são favoráveis, continuem como estão”, apenas Ronaldo Caiado levantou o braço, sinalizando contrariedade. O plenário estava repleto e continuou como estava. Não ouviram-se aplausos quando anunciada a aprovação.

________________________________________

28,5%

É o percentual de reajuste aprovado pelos parlamentares para seus subsídios

R$ 12.847

É quanto os deputados e senadores recebem atualmente

R$ 16.512

É o valor que os congressistas terão no contracheque

Compartihe

OUTRAS NOTÍCIAS

Sócio retirante desligado antes do Código Civil de 2002 não se submete ao prazo de dois anos
TJMT mantém multa aplicada a posto por falta de informação sobre preços
Borracheiro receberá adicional de insalubridade por estresse térmico