Procurador vai analisar documento e pode denunciar pilotos do Legacy à Justiça. PF indiciou americanos por crime culposo (quando não há intenção de ferir)
O Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso recebeu na quinta-feira (17) o relatório final da Polícia Federal sobre a colisão entre o Boeing da empresa Gol e o jato executivo Legacy, segundo a Agência Brasil.
O acidente aconteceu em setembro de 2006. O avião da companhia aérea brasileira caiu e as 154 pessoas que estavam a bordo morreram.
O documento deverá ser analisado pelo procurador da República Thiago Lemos de Andrade, a quem cabe decidir se o MPF vai denunciar criminalmente os pilotos do Legacy, os norte-americanos Joe Lepore e Jan Paladino. Crime culposo
O delegado Renato Sayão, da PF, concluiu o inquérito sobre as causas e os responsáveis pelo acidente no início do mês. Ele indiciou os pilotos do Legacy por “expor a perigo embarcação ou aeronave”, na modalidade culposa (quando não há intenção de ferir).
A Polícia Federal também detectou falhas dos controladores de vôo que estavam trabalhando no dia do acidente. A PF, porém, alega que não tem atribuição legal para punir os controladores militares. O caso deverá ser analisado pelo Ministério Público Militar e pela Justiça Militar.
Defesa dos pilotos
Em abril, os advogados dos pilotos do Legacy, Theo Dias e José Carlos Dias, produziram um relatório apontando que a principal causa do choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy foi a falha do sistema de controle de tráfego aéreo.
No documento de 134 páginas, os advogados dizem que o centro de controle aéreo de Brasília “alterou erroneamente” o nível de vôo em sua faixa de dados de 37 mil pés para 36 mil pés, sem que houvesse autorizado os pilotos a mudar para essa altitude