Mais dois presos pela Operação Navalha, esquema de fraude de licitações e desvio de verbas públicas, ganharam liberdade. Na noite desta sexta-feira (18), Ney de Barros Bello, secretário de Infra-estrutura do Maranhão, e o ex-deputado federal Ivan Paixão foram soltos graças a decisões judiciais.
A corrida ao Supremo Tribunal Federal começou depois que o ministro Gilmar Mendes concedeu um habeas corpus ao ex-procurador-geral do Maranhão Ulisses Martins de Souza, que estava foragido.
Até o início da noite, pelo menos 13 presos pela Operação Navalha –entre eles o ex-governador do Maranhão, José Reinaldo Tavares– já haviam entrado com pedido de habeas corpus para tentar ganhar liberdade.
Mais cedo, a ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon, relatora do inquérito, decidiu soltar Flávio Conceição de Oliveira Neto, ex-chefe da Casa Civil de Sergipe, na gestão do governador João Alves Filho. Flávio fez cirurgia do coração há três semanas.
“A ministra Eliana Calmon revogou a prisão preventiva e determinou que ele ficasse em Brasília pra ser ouvido na segunda-feira às 8h da manhã”, explicou o advogado dele.
Mas o STJ negou liberdade ao deputado distrital Pedro Passos, acusado de receber propina do esquema. O deputado é o único parlamentar identificado até agora, mas a Polícia Federal já descobriu no escritório da construtora Gautama, em Salvador, uma pasta de arquivos com uma relação de parlamentares.
Na lista, ao lado dos nomes dos políticos, aparecem emendas orçamentárias para obras e valores em dinheiro ou presentes.
No comando do esquema estava o dono da construtora Gautama, Zuleido Veras, que mantinha negócios em oito estados e no Distrito Federal. Na Gautama, foram encontradas provas de fraudes em licitações, tráfico de influência e corrupção para desviar dinheiro de obras públicas.
Gravações feitas pela Polícia Federal mostram como a construtora mantinha contatos na Caixa Econômica Federal e na Esplanada dos ministérios para liberar os recursos.
Numa das gravações, Zuleido pede a um auxiliar, identificado apenas como Flávio, detalhes sobre as negociações em Sinop, no Mato Grosso.
Zuleido: O assunto de Sinop, Flávio?
Flávio: O assunto de Sinop, nossa amigo tá lá agora falando com o ministro e vai voltar à tarde exatamente para me dar uma posição.
Zuleido: Tá bom.
Uma das gravações mostra o deputado distrital Pedro Passos, do PMDB, negociando o que parece ser recebimento de propina para ajudar na liberação de recursos de obras dos envolvidos no esquema:
Zuleido: Quarta-feira tô aí, né, tal, aquele negócio. Tá?
Pedro Passos: Pois é, eu tinha falado com a Fátima e ela disse que às vezes me dava um socorro hoje, mas aí acabou não dando certo, né?
Zuleido: Quarta-feira a gente resolve aquilo… Passado.
Pedro Passos: Tá bom! Você consegue liquidar aquele resto lá na quarta?
Zuleido: Consigo, consigo… Quarta-feira.
Pedro Passos: Eu acredito que na terça, no mais tardar na quarta, a gente vota o crédito suplementar que está lá na Câmara.
Zuleido: Ótimo!
Pedro Passos: E nós estamos tirando dois e meio lá, para poder pagar o resto que falta e dar a ordem de serviço para começar alguma coisa também, né?
Zuleido: Eu vou chegar aí na segunda-feira de tarde e ligo pra gente dar uma conversada.