O senador Renan Calheiros (foto) nega pagamento de despesas por terceiros, mas não explica papel de lobista nem comprova rendimentos.Em uma nota com cinco itens o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou ontem ter tido contas pagas pelo lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo. Renan garantiu nunca ter recebido dinheiro ilegal. Nem para custear despesas pessoais nem para cobrir gastos de campanha. Na resposta, definiu todo o problema como uma “turbulência circunscrita” à sua “íntima privacidade”. Deixou, porém, acusações sem resposta.
Renan não respondeu, por exemplo, parte da denúncia da reportagem da revista Veja, de que teria ajudado a empresa Mendes Junior a obter contratos no governo. Não explicou suas relações com Gontijo e por que se utilizava dele para resolver assuntos pessoais. Deixa de explicar ainda como repassava R$ 16,5 mil à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, se recebe R$ 12,7 mil como senador.
Processo de pensão
A nota tratou da acusação central da reportagem. No início do dia, o presidente do Senado ainda avaliava se deveria dar declarações públicas. Avisava que qualquer afirmação poderia comprometê-lo no processo de pensão alimentícia. No final da tarde, depois de se reunir com advogados e assessores, decidiu divulgar a nota: “Nunca recebi qualquer recurso ilícito ou clandestino de qualquer empresa ou empresário”, garantiu. “Jamais tive qualquer despesa ou gasto pessoal ou de meus familiares custeados por terceiros. Meus compromissos sempre foram honrados com meus próprios recursos.”
A empresa Mendes Júnior também divulgou nota ontem negando ter repassado recursos que ajudariam o senador. “Sobre os pagamentos mencionados, não existe, nem nunca existiu, qualquer participação da Mendes Júnior”. À revista Veja, Cláudio Gontijo confirmou entregar dinheiro, mas negou que o recurso fosse seu. A empreiteira também negou qualquer irregularidade em contratos com a Petrobras e Infraero e avisou que não executa obras do Ministério de Minas e Energia. “Sobre as insinuações a respeito de contratos da Mendes Júnior com a Petrobras, Infraero e outros declaramos que são instituições de visibilidade pública com as quais mantemos contratos objetivos, resultantes de concorrências, e que estão disponíveis de maneira ampla a qualquer inquirição concreta.”