Gravações feitas pela Polícia Federal atingem outro ministro do presidente Lula. A PF gravou pelo menos três telefonemas entre o lobista Sérgio Sá e o ministro Márcio Fortes (foto) (Cidades). Sá seria uma peça estratégica no esquema montado por Zuleido Veras, dono da Construtora Gautama, que comandaria a suposta máfia das licitações públicas desarticulada pela Operação Navalha, da PF.
O teor dos diálogos – ainda mantidos em sigilo – revela intimidade entre Sá e Fortes, que foi citado uma vez em relatório da Operação Navalha. É que o ex-presidente do PP (partido responsável pela indicação de Fortes), Pedro Corrêa, é acusado de traficar influência nas Cidades para liberar dinheiro à Construtora Gautama.
O primeiro ministro atingido pela Operação Navalha foi Silas Rondeau, que pediu exoneração depois das denúncias de ter recebido propina da Gautama. Ele nega as acusações.
Por sua vez, Fortes aguarda mais informações sobre as gravações feitas pela PF. De acordo com o Ministério, ele não recebeu dados das investigações nem lembra ter mantido contato com a Gautama, de Zuleido Veras, que comandaria o suposto esquema de fraudes em licitações para a realização de obras públicas.
A assessoria de Fortes informou ainda que o ministro está tranqüilo e determinou que fosse feito um levantamento na sua agenda para verificar se em algum momento conversou com Sérgio Sá – apontado como lobista da Gautama.
Grampos
Os grampos realizados pela Polícia Federal em suas operações atingem advogados, empresários, juízes, ministros do Superior Tribunal de Justiça e até parentes do presidente Lula. Nesse último caso está Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho do presidente Lula. Investigado pela Operação Xeque-Mate, Vavá foi indiciado por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário.