O Conselho de Ética reúne-se hoje para votar o relatório que pede o arquivamento da denúncia contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Mas um novo embate entre os conselheiros está previsto para ocorrer na sessão, marcada para as 10h. Os aliados do peemedebista se mobilizam para aprovar o parecer do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) e evitar que novas acusações fragilizem ainda mais a situação política do presidente do Senado. A oposição, porém, tentará adiar a votação e investigar o caso, com a tomada de depoimentos.
Senadores do PSDB e do DEM (ex-PFL) apresentarão relatórios alternativos ao texto de Cafeteira. Vão propor a suspensão da votação do parecer do relator até que seja feita uma perícia nos documentos apresentados por Renan ao corregedor Romeu Tuma (DEM-SP) e ao conselho. Sugerem também a convocação do funcionário da Mendes Júnior Cláudio Gontijo e do advogado Pedro Calmon, representante da jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha de três anos. O presidente do Senado é acusado de ter despesas pessoais pagas por Gontijo, entre as quais uma pensão à jornalista. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) também apresentará um parecer diferente de Cafeteira.
O desfecho do caso, dado como certo até ontem, está indefinido. Reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, veiculada ontem à noite, complicou a situação de Renan. Deixou ainda mais em dúvida senadores que já defendiam a investigação mais aprofundada do caso antes da aprovação do relatório final, como Renato Casagrande (PSB-ES). “A reportagem traz informações que contestam pontos da documentação entregue ao conselho pelo presidente do Senado. Ele diz que tem como se justificar. Vamos aguardar que ele apresente a documentação que atesta a veracidade do que ele disse”, argumentou.
Para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), a reportagem reforça a tese dos oposicionistas, de que é preciso aprofundar a apuração. “Está claro que a investigação é necessária.”
Renan já sabia da reportagem e passou o dia mobilizando-se para votar o relatório de Cafeteira. O argumento dos peemedebistas é o de que o presidente do Senado não deve “sangrar” por mais tempo em público. “Três semanas desse assunto já foram suficientes”, considerou o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO). O relator do processo no conselho também insistia na aprovação de seu texto e duvidava da capacidade de argumentação dos oposicionistas: “Vamos ver se eles acham alguma coisa que possa incriminar o senador, que não seja apenas especulação”, ironizou Cafeteira.
A reportagem do Jornal Nacional questionou os documentos apresentados pelo presidente do Senado que comprovariam renda suficiente para cobrir despesas com uma pensão informal de R$ 12,5 mil paga a Mônica. Esse é quase todo o valor que ele recebia como senador até este mês (R$ 12,7 mil). Como complemento, o senador disse ter obtido R$ 1,9 milhão em quatro anos com a venda de gado. Ao checar as empresas de Alagoas que teriam comprado os bois do senador, a reportagem encontrou irregularidades, como a inexistência de endereços e a falta de notas fiscais que comprovariam a venda.
Em resposta, o presidente do Senado disse ter como comprovar toda a venda do gado com notas fiscais, guias de transporte e cópias de cheques. Disse também não ter responsabilidade se alguns empresários omitiram rendimentos à Receita Federal.