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Presa diz que deu R$ 1 mi ao ex-presidente do Banco de Brasília

Presa diz que deu R$ 1 mi ao ex-presidente do Banco de Brasília

Um dos depoimentos colhidos ontem por policiais civis e promotores de Justiça na Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco) complicou ainda mais a situação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura. Presa ontem durante a Operação Aquarela, Noelma Ribeiro Xavier confirmou o esquema de lavagem de dinheiro apontado pelo Ministério Público. Funcionária do doleiro Georges Kammoun, que também foi preso ontem, ela contou que entregava dinheiro vivo nas mãos de Tarcísio desde o ano passado.

Um dos depoimentos colhidos ontem por policiais civis e promotores de Justiça na Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco) complicou ainda mais a situação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura. Presa ontem durante a Operação Aquarela, Noelma Ribeiro Xavier confirmou o esquema de lavagem de dinheiro apontado pelo Ministério Público. Funcionária do doleiro Georges Kammoun, que também foi preso ontem, ela contou que entregava dinheiro vivo nas mãos de Tarcísio desde o ano passado.

A partir do segundo semestre de 2006, Noelma teria entregue aproximadamente R$ 1 milhão para o ex-presidente do BRB. Segundo o depoimento, o dinheiro era sacado na boca do caixa por meio de cartões corporativos emitidos pela ONG Caminhar, que os abastecia com até R$ 50 mil. Tarcísio entregava os cartões e as senhas para Kammoun que, por sua vez, os repassava para Noelma. Ela, então, era encarregada de ir até a casa de Tarcísio, depois de passar no banco, e entregar para ele os recursos em espécie. Ainda de acordo com o depoimento, o ex-presidente do BRB também costumava trocar todo mês entre US$ 50 mil a US$ 100 mil — R$ 100 mil a R$ 200 mil — com o doleiro, no escritório deste no Setor de Rádio e TV Norte.

Os cartões corporativos eram uma espécie de mala de dinheiro em plástico. Trata-se de um produto novo que existe há apenas dois anos, exclusivo do Banco do Brasil, que os expedia a pedido de clientes, no caso do esquema a entidade Caminhar, usada como lavanderia para esquentar o dinheiro desviado do BRB, conforme apontaram os investigadores. O esquema funcionaria da seguinte forma: o BRB terceirizava serviços de tecnologia, como auto-atendimento, emissão de cheques e compensação bancária, contratando a Associação Nacional de Bancos (Asbace). Parte do dinheiro era aplicado no serviço e uma outra parte seria desviada.

Sem identificação

Segundo a investigação, os recursos desviados eram, então, transferidos para a Caminhar ou outras empresas que integravam o esquema. Para que voltasse para Tarcísio ou chegassem ao secretário-geral da Asbace, Juarez Cançado, o dinheiro passava pela Caminhar. Com a emissão dos cartões corporativos, perdia-se a seqüência do caminho dos recursos porque o Banco do Brasil não exigia identificação dos sacadores. Os cartões corporativos também podiam ser usados — sem que a Receita Federal localizasse o seu portador — para pagamentos de contas até no exterior.

O advogado Bruno Rodrigues, que defende Tarcísio, disse que seu cliente depôs ontem pela manhã e negou integrar o esquema de desvio de recursos da instituição. “Ele nega qualquer envolvimento e disse que, inclusive, nunca ouviu falar nessas ONGs, afirmou o advogado. Rodrigues protocolou no final da tarde de ontem um pedido ao juiz Romero Brasil de Andrade — que determinou a prisão dos acusados na operação — para a libertação de Moura. O advogado argumentou que as razões que teriam levado seu cliente à prisão — como evitar a comunicação entre acusados e impedir a destruição de provas — deixaram de ter validade depois das detenções.

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